Economia

Preço do botijão de gás chega perto dos R$ 100

Aumento traz impacto no orçamento das famílias
Preço do botijão de gás chega perto dos R$ 100
Petrobras reajustou o valor do GLP em 5% nas refinarias no início do mês. Crédito da foto: Fábio Rogério (19/2/2021)

Com os últimos reajustes, o preço do botijão de gás de cozinha (GLP) se aproxima dos R$ 100 para o consumidor em Sorocaba. No dia 8 de fevereiro, a Petrobras reajustou o GLP em 5,1% nas refinarias da empresa. Na última quinta-feira, a estatal elevou, mais uma vez, os preços da gasolina e do diesel, em 10,2% e 15,2% respectivamente.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) anunciou que vai zerar os impostos federais no gás de cozinha. A medida deve entrar em vigor em 1º de março. O preço do botijão de gás para o consumidor final é composto pelo custo na refinaria, além de impostos, transporte e margens de lucro.

Em Sorocaba, os consumidores sentem o impacto do acréscimo no valor do gás de cozinha, vendido em torno de R$ 90. Na cidade, alguns depósitos já aplicaram o porcentual de aumento nos botijões. Outros ainda têm unidades da compra anterior, com valor mais baixo, no estoque. Por isso, até o momento, não precisaram alterar os preços de venda. Como alternativa para evitar a perda de clientes, algumas distribuidoras absorveram parte do reajuste.

Para a auxiliar de limpeza Dalva Duarte, comprar o gás de cozinha tem pesado no orçamento. Anteriormente, ela costumava pagar R$ 60. Mas, na última vez desembolsou R$ 98. Ou seja, alta de 38,7%. Segundo Dalva, a elevação começou a ser mais constante nos últimos três meses. Ela mora com o marido e a filha. Como opção para economizar, ela utiliza menos o forno e prepara alguns alimentos, como arroz, na panela elétrica. Desta forma, o botijão dura cerca de um mês e meio. “Faço uma lista dos valores a serem gastos no mês: comida, água, luz, gás. Quando percebi, havia uma diferença bem alta no gasto com gás”, avalia.

A auxiliar de educação Tatiane Sanches Delalibera também passou a buscar alternativas após perceber a alta. Antes, ela comprava o botijão por R$ 65. Atualmente, não acha por menos de R$ 85. De acordo com os valores informados por ela, o preço subiu 23,5%. Ela usa o forno com menos frequência e mais a panela de pressão, que cozinha em menos tempo. Com essas medidas, o botijão, que antes acabava em um mês e meio, passa a durar dois. “O gás é algo insubstituível. Então, acabo não tendo muitas alternativas, porque tenho que cozinhar, não tenho outra opção”, diz Tatiane.

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Em 2020, o GLP subiu 9,24%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número representa mais que o dobro da inflação registrada no ano passado, de 4,52%. No fim do ano, o botijão de 13 quilos custava entre R$ 59,99 e R$ 105 no País, com preço médio de R$ 75,04, conforme pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No âmbito local, a ANP divulga, semanalmente, os valores médios do produto em diversas cidades. Porém, no final de 2020, a agência mudou o sistema de anúncio dos dados. O novo formato prevê a expansão gradual das amostras da pesquisa. Na primeira etapa, o estudo abrangerá as 26 capitais estaduais e o Distrito Federal. As demais localidades serão incluídas posteriormente, no decorrer de oito etapas. O período de divulgação das informações sobre Sorocaba ainda não chegou. Por isso, não há dados recentes sobre os valores do na cidade. Contudo, a partir de preços passados por consumidores, é possível constatar o aumento do GLP.

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Estabelecimentos comerciais também sofreram impacto de alta no gás. Na churrascaria Chimarrão Grill, no Jardim Piratininga, o proprietário Vanderlei Antonio Dossena pagava R$ 450 por um botijão de 90 quilos. Ele utiliza dois por mês e o total era de R$ 900. Agora, o gasto mensal aumentou para R$ 1.000, porque o botijão passou a custar R$ 500. O restaurante, acrescenta, depende do gás para funcionar. “Não há outra alternativa. É preciso comprar. Se não, como vamos cozinhar?”, completa. Dossena diz que não repassa a elevação para os clientes, pois eles podem considerar a mudança abusiva.

Depósitos

Alguns depósitos já repassaram o aumento deste mês, enquanto outros ainda conseguem manter os valores antigos. Na Sorocabagás e Água, já são praticados os novos valores. De acordo com o proprietário Thiago Bento França, o botijão de 13 quilos sai a 85 para retirada e R$ 90 para entregar. Antes, custava R$ 82 e R$ 87, respectivamente.

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Na Anjogás, o reajuste ainda não foi efetuado. A dona, Angela Marina Rosa, tem no estoque unidades compradas das distribuidoras pelo preço antigo. Mas quando a reserva se esgotar e ela precisar adquirir um lote com o novo preço, aplicará a alta para o consumidor final. Angela ainda não sabe o porcentual exato de aumento a ser adotado. A intenção é subir o preço do botijão dos atuais R$ 88, para retirada e entrega, para R$ 92. A empresária não deve reverter o reajuste integral para tentar manter os clientes. “Sempre tentamos colocar (o preço) um pouco abaixo (do reajuste)”, diz Angela. (Vinícius Camargo)

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