Economia

Para recuperar o crédito é preciso negociar

As condições da renegociação, como o parcelamento, variam de acordo com a empresa



Para recuperar o crédito é preciso negociar
A massa de inadimplentes enfrenta problemas com a negativação do nome, mas é possível encontrar saídas na negociação da dívida. Crédito da foto: Fábio Rogério (4/8/2018)

O fantasma da inadimplência leva milhares de sorocabanos a buscar o auxílio do Serviço de Recuperação de Crédito da Associação Comercial de Sorocaba (Acso), onde é possível consultar gratuitamente possíveis dívidas no CPF e buscar formas de quitar as pendências.

Patrícia Pezzutto, do Serviço de Recuperação de Crédito, explica que quando o CPF do consumidor está negativado, ele é orientado sobre as formas de acabar com a dívida. Nos casos em que a empresa credora aderiu ao programa da Acso, é possível elaborar um plano de renegociação. “A gente passa os acordos e, dependendo, pedimos uma contraproposta”, conta.

As condições da renegociação, como o parcelamento, podem variar, mas há juros e multa fixos. A associação também analisa a capacidade do consumidor em honrar aquele plano de pagamento, de acordo com suas condições. O trabalho exige delicadeza na abordagem, uma vez que a situação atinge a pessoa também emocionalmente. “A gente sempre tenta abordar de uma forma amigável”, explica Patrícia. “Tentamos ter empatia, para uma negociação tranquila”, diz. O número de renegociações mensais é de cerca de 50.

Para recuperar o crédito é preciso negociar
Patrícia é a negociadora da Associação: “sempre tento abordar de uma forma amigável”. Crédito da foto: Fábio Rogério

A retirada do CPF do base de inadimplentes depende de como a negativação ocorreu, se por parcelas ou pelo total da dívida. Caso a empresa seja associada, antes do nome ser incluído na base já é enviada uma carta ao consumidor com boleto para regularização. Os atendimentos do setor de Recuperação de Crédito são presenciais, por telefone, e-mail e até Whatsapp. Mais informações: www.acso.com.br.

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Dívidas vêm diminuindo

Em março, mais de duas mil pessoas passaram pelo atendimento. E, segundo os números do banco de dados da Acso, administrado pela Boa Vista SCPC, a quantidade de registro de dívidas diminuiu 2,28% em abril, passando de 130.766 em março para 127.781 em abril. Já o número de pessoas inadimplentes (CPFs) passou de 73.765 em março para 72.041 em abril, queda de 2,33%. O valor total da dívida caiu de R$ 74.858.053, 27 para R$ 73.348.789,75. É a quarta queda seguida na inadimplência, de acordo com o indicador da Acso.

Para o presidente da Acso, Sérgio Reze, é preciso estimular o consumo consciente, dentro das possibilidades orçamentárias de cada família, priorizando o controle financeiro. Ele ressalta o impacto emocional e social da inadimplência para as pessoas. “A pessoa tem que organizar a sua vida financeira, gastar aquilo pode dentro daquilo que tem de renda familiar”, aconselha.

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Como funciona e para que serve o cadastro negativo

O temor de quem passa por turbulências financeiras, e não consegue honrar os compromissos, é acabar com o nome incluído nos temidos cadastros negativos. Porém, o que isso significa? Quando uma pessoa fica inadimplente e tem seu CPF negativado é porque teve seus dados incluídos na base de uma das empresas que reúnem informações sobre crédito de pessoas físicas. As três principais, no Brasil, são a Serasa Experian, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Boa Vista SCPC.

“Essas instituições tem o objetivo de fornecer dados para a sociedade comercial em relação a inadimplência das pessoas físicas, aqueles que tem positividade e aqueles que tem eventuais negatividades em termos de crédito, para orientar as instituições que concedem crédito a tomarem decisões”, explica o professor de economia da Universidade de Sorocaba (Uniso), Marcos Canhada.

Para recuperar o crédito é preciso negociar
A crise econômica atingiu muitas pessoas, que acabaram no cadastro negativo. Crédito da foto: Reprodução da Internet

A informação sobre o inadimplente é enviada pela empresa onde o consumidor contraiu a dívida e retirada quando o débito é quitado ou após cinco anos. Essas instituições costumam elaborar índices de inadimplência, que contribuem para avaliar a situação de endividamento dos brasileiros.

O professor Canhada explica que as diferenças ocorrem por conta da utilização de critérios, amostragem e base de coletas de dados diferentes para a formulação dos índices. “A causa disso são as bases de coleta de dados, em que a amostragem pode gerar resultados diferentes. O critério adotado por cada uma tem algum tipo de diferenciação”, afirma.

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Canhada explica que a situação de inadimplência, e o grau dela, influi na classificação da pessoa. Esse conceito é utilizado por empresas de crédito para estabelecer uma pontuação para cada consumidor. Ou seja, a inadimplência influi na capacidade de obter linhas de crédito. O professor ainda ressalta os aspectos sociais da inadimplência para as famílias e aconselha a prudência financeira.

Números locais

De acordo a Serasa Experian, em março, Sorocaba tinha 232.362 inadimplentes, enquanto em fevereiro eram 225.133, uma alta de 3,21%. Na comparação com março de 2018, quando eram 218.142 inadimplentes, o aumento é de 6,5%.

Já o Indicador de Registros de Inadimplentes, criado pela Boa Vista SCPC, caiu 7,7% em Sorocaba na comparação entre fevereiro de 2019 e de 2018. O índice é elaborado a partir da quantidade de novos registros de dívidas vencidas e não pagas. Na comparação mensal, de fevereiro contra o mês anterior, a queda foi de 1,6%. O SCPC não informa números totais das dívidas ou inadimplentes, apenas o indicador. (Priscila Fernandes)

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