Economia

País abre 260 mil vagas de trabalho em janeiro

É o melhor resultado do Caged para o mês na série histórica iniciada em 1992
País abre 260 mil vagas de trabalho em janeiro
A indústria foi o setor que contratou mais, com saldo positivo de 90.431 vagas formais. Crédito da foto: Gilson Abreu / Arquivo ANPR

A segunda onda da pandemia de Covid-19 atingiu o Brasil quando o mercado de trabalho voltava a bater recordes de geração de empregos com carteira assinada. De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério da Economia, foram criadas 260.353 vagas em janeiro, o melhor resultado para o mês na série histórica iniciada em 1992, ou seja, em 30 anos.

Todos os setores da economia contrataram mais do que demitiram em janeiro. O desempenho foi puxado pela indústria, com a criação de 90.431 postos formais, seguida pelos serviços, que recuperaram 83.686 vagas. Já a construção civil abriu 43.498 vagas, enquanto houve um saldo de 32.986 contratações na agropecuária em janeiro. No comércio, foram criadas 9.848 vagas
A equipe econômica destacou o papel do Programa Emergencial de Manutenção de Emprego e Renda, conhecido como BEm, que permitiu às empresas cortarem jornada e salário dos empregados ou suspenderem contratos em 2020. Como contrapartida, o governo dificultou a demissão desses funcionários pelo mesmo tempo que tiveram o salário reduzido ou o contrato suspenso.

Um total de 3,5 milhões de trabalhadores ainda estavam “protegidos” pelo programa em janeiro; 3 milhões deles seguem estáveis até março.

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Diante do recrudescimento da pandemia e da adoção de medidas mais rígidas de isolamento social adotadas por governadores nas últimas semanas, o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmou que governo vai lançar uma nova rodada do programa, que agora está sendo chamado pelo governo de “seguro-emprego”. Uma medida provisória deve ser editada em breve.

“Em vez de esperar alguém ser demitido e pagar R$ 1.100 após a pessoa ser demitida, com a garantia de cinco meses, queremos a garantia de 11 meses, onde pagamos R$ 500 para a pessoa continuar empregada”, afirmou Guedes.

O secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, Bruno Bianco, evitou projetar o impacto do novo pico da pandemia sobre o Caged dos próximos meses, mas disse não concordar com as medidas de distanciamento social — inclusive lockdowns. Segundo ele, essas medidas trazem “problemas significativos” para a economia e o mercado de trabalho.

“Não há dúvidas de que o fechamento generalizado traz problemas significativos para a economia. Preservar emprego e renda dos brasileiros é preservar a segurança alimentar”, avaliou, lembrando que a própria secretaria divulgou protocolos para o trabalho em segurança para diversos setores em meio à pandemia. “Somos defensores do direito ao trabalho, aliado à saúde”, completou.

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Autoridades sanitárias defendem medidas de restrição de mobilidade como essenciais para evitar o colapso hospitalar.

Para o economista da Pezco, Helcio Takeda, o impacto do recrudescimento da Covid-19 no mercado de trabalho formal deve aparecer com mais clareza nas divulgações de março e abril. Ainda assim, confiante em um segundo semestre com economia mais aquecida em decorrência de uma campanha de vacinação mais robusta, ele decidiu manter a projeção para o ano, de geração de 500 mil vagas a mais do que demissões. “O que vai ser determinante no curto prazo, pensando em abril e maio, é se as medidas de restrição vão ser bem-sucedidas”, considerou Takeda. (Eduardo Rodrigues e Thaís Barcellos – Estadão Conteúdo)

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