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Economia

Inovação tecnológica depende de mudança de cultura e de gestão

O tema fez parte do 2º seminário Inovação no Brasil, realizado pela Folha de S.Paulo
João Emílio Gonçalves, gerente-executivo de política industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria). Crédito da foto: José Paulo Lacerda

Sem deixar de lado o desenvolvimento de novas tecnologias, o avanço das companhias dependerá de inovações nas formas de gestão e de mudança na cultura das corporações. Aspectos como a tolerância ao fracasso, a valorização do erro, a descentralização da tomada de decisões e a promoção de talentos são apontados por especialistas como os próximos passos fundamentais para os ambientes corporativos do século 21.

Em debate com representantes do governo, de empresas e outras entidades, o tema fez parte do 2º seminário Inovação no Brasil, realizado pela Folha de S.Paulo, com patrocínio da Embratel e apoio da Braskem e do grupo Energisa, na segunda-feira (13), no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Mediadas pelos jornalistas da Folha de S.Paulo Everton Lopes Batista e Joana Cunha, as mesas contemplaram alguns dos entraves para o desenvolvimento do país. O Brasil ocupa hoje a 64ª posição no Índice Global de Inovação, que avaliou 126 países quanto a insumos e produtos inovadores. Está atrás de Colômbia, Chile e México. A Suíça é líder.

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Novas formas de gestão das empresas são tão decisivas para a competitividade como o desenvolvimento tecnológico, segundo João Emílio Gonçalves, gerente-executivo de política industrial da CNI (Confederação Nacional da Indústria). “Essa agenda de difusão de tecnologias [que inclui organização das empresas e inovação] terá peso importante na geração de renda e de empregos no país, e precisa entrar na pauta da indústria 4.0”, afirmou Gonçalves.

Para o executivo, a discussão sobre inovação ainda é centrada em áreas de alta intensidade tecnológica de grandes empresas.Diretor do BRICLab da Universidade Columbia e colunista da Folha, Marcos Troyjo afirmou que o “talento será o divisor de águas” nessa nova fase da inovação. Ele explica que sua concepção de talento não significa a habilidade individual de aperfeiçoar vocações, mas sim, no âmbito empresarial, a capacidade de inovar para além dos setores nos quais já se produz.

Economista e cientista político, Troyjo defende a ideia de que os inovadores de nosso tempo serão os profissionais metacompetentes. “São aqueles engenheiros que conseguem ler contrato, são aqueles filósofos que gostam das ciências exatas.”

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Para ele, a inovação acontece em ambientes que combinam três fatores: a acumulação de capital, de conhecimento, e de empreendedorismo. A maneira pela qual esses três elementos se juntam é a cultura. “Essa cultura é que irá gerar a inovação.”

A explicação de Troyjo é baseada no índice de sucesso tecnológico (TAI, na sigla em inglês), elaborado pelo ganhador do prêmio Nobel de economia Amartya Sen. Entre as transformações de cultura para alavancar a inovação, Israel e Alemanha fornecem modelos de boas práticas que podem ser adaptados para o Brasil.

De acordo com o cônsul-geral de Israel em São Paulo, Dori Goren, uma jovem startup que fracassou naquele país é incentivada a procurar financiamento público novamente. Isso porque se considera que seus idealizadores aprenderam com a experiência e farão melhor na próxima tentativa. “Na cultura de Israel, há tolerância ao fracasso. Essa é uma diferença crucial. Aqui no Brasil, uma startup pequena recebe dinheiro, mas, se fracassa, acabou. Precisamos mudar essa cultura do fracasso.”

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Na Alemanha, segundo o diretor-executivo da Associação de Engenheiros Brasil-Alemanha, Johannes Klingberg, as mudanças culturais nas organizações visam a valorização do erro como forma de aprendizado. “O país enfrenta o desafio de incentivar as pessoas a admitirem seus erros para acelerar e potencializar a transformação digital”, disse Klingberg.

Para ele, é necessário que as corporações em todo o mundo avancem em termos organizacionais e culturais para alavancar o potencial que as transformações tecnológicas prometidas pela indústria 4.0 podem trazer. No Brasil, o especialista aponta que o principal benefício do conjunto de transformações tecnológicas, organizacionais e culturais é a agilidade. Mas, para que seja alcançada, é importante que se transforme também o processo de tomada de decisão.

Segundo Klingberg, isso significa que cada vez mais as pessoas terão que assumir a responsabilidade pelas escolhas, em um esforço de descentralização da gestão.
“Não posso confiar que haverá um gerente na frente que vai checar os meus resultados. Cada um precisa assumir a responsabilidade pela decisão e pelo próprio desenvolvimento”, completa o executivo. (Beatriz Maia – Folhapress)

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