Economia

Inflação oficial chega a 0,86% em outubro

Alta nos preços de alimentos continuam pressionando o IPCA
Inflação oficial chega a 0,86% em outubro
Impacto nos alimentos foi de 0,39 ponto percentual. Crédito da foto: Fábio Rogério / Arquivo JCS (18/8/2020)

Ainda pressionado pelos preços de alimentos e, desta vez, também por remarcações de eletrodomésticos e de alguns serviços, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deu um salto em outubro e alcançou a maior variação para o mês desde 2002. Segundo o IBGE, o indicador oficial de inflação chegou a 0,86%, ante 0,64% em setembro.

Diante do número, o mercado voltou a ajustar para cima as estimativas para a inflação no ano — para algo entre 3% e 3,5%, ainda abaixo do centro da meta de 4% perseguida pelo Banco Central. Para os analistas, mesmo com o novo recorde, a percepção ainda é de um fenômeno temporário. Esta é a opinião de Vitor Vidal, economista da XP Investimentos, para quem a elevação recente do IPCA é um “choque temporário, por mais que seja prolongado”.

Segundo João Fernandes, economista e sócio da gestora de recursos Quantitas, o número de outubro “reforça as preocupações” recentes, mas “ainda há muitos fundamentos para continuar caracterizando essa inflação como algo temporário”. Assim, completa ele, não haveria “um processo persistente de piora da inflação”.

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A taxa acumulada pela inflação no ano ficou em 2,22% no ano. Em 12 meses, o resultado foi de 3,92%.

Sozinho, o grupo alimentação e bebidas respondeu quase pela metade do avanço agregado do IPCA, com alta de 1,93%, resultando em impacto de 0,39 ponto porcentual (p.p.) no total, segundo dados do IBGE.

Houve desaceleração na inflação de alimentos. Em setembro, o grupo alimentação e bebidas havia subido 2,28%. Mesmo assim, no ano, o grupo já acumula alta de 9,37%, enquanto, no acumulado de 12 meses, a taxa já está em 13,88%.

Segundo o IBGE, a desaceleração na passagem de setembro para outubro ocorreu principalmente em função de altas menos intensas em alguns alimentos para consumo no domicílio (que avançou 2,57%), como o arroz (13,36%) e o óleo de soja (17,44%). As variações no mês anterior haviam sido de 17,98% e 27,54%, respectivamente.

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Ainda assim, arroz e óleo de soja são os principais responsáveis pela pressão recente da inflação de alimentos, que têm puxado a inflação nos últimos meses, disse Pedro Kislanov, gerente do IPCA.
Em outubro, os grandes destaques foram o arroz, com aumento de 13,36% nos preços, e o óleo de soja, com crescimento de 17,44%.

O setor de transportes também acabou crescendo, mas em menor medida, 1,19%, com impacto de 0,24 ponto porcentual no resultado. (Estadão Conteúdo)

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