Economia

FMI prevê recessão global após a pandemia de coronavírus

Se retomada econômica acontecer no segundo semestre, haverá crescimento em 2021
A interdição de pontos turístico na França é um dos exemplos de paralisação econômica mundial. Crédito da foto: Pascal Guyot / AFP

A pandemia de Covid-19 provocará uma recessão global em 2020, com uma contração econômica estimada em 3%, e um “grave risco” de piorar — anunciou o Fundo Monetário Internacional (FMI), ontem, ressaltando que a recuperação demandará um estímulo coordenado.

As potências industriais do G7 reiteraram seu compromisso de fazer “o que for preciso” para ajudar, declarando-se defensoras da suspensão temporária do serviço da dívida para os países mais pobres do mundo, se os governos do G20 também estiverem de acordo.

O isolamento da população para evitar contágios e a consequente paralisação da atividade econômica reduzirão o crescimento de maneira dramática, com impacto maior nos países em desenvolvimento, destaca o FMI no boletim “Perspectivas da Economia Mundial”, que recebeu o título de “O Grande Confinamento”.

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“A perda acumulada do Produto Interno Bruto (PIB) global em 2020 e 2021 da crise da pandemia pode ser de cerca de US$ 9 trilhões, maior do que as economias do Japão e da Alemanha juntas”, disse a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath.

No entanto, o Fundo afirma que, se o mundo conseguir conter o novo coronavírus e retomar gradualmente a atividade no segundo semestre de 2020, a economia global pode crescer 5,8% em 2021.

Grave recessão

Para os Estados Unidos, maior economia do mundo, o FMI projeta uma recessão grave, com queda de 5,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, e uma recuperação de 4,7% em 2021.

Destacou, porém, a “considerável incerteza” que pesa sobre a força da retomada. “Resultados de crescimento muito piores são possíveis e, talvez, prováveis”, afirma o boletim.

Isto pode acontecer se a pandemia declarada em 11 de março, após uma epidemia que começou na China em dezembro, estender-se por mais tempo, e as medidas de isolamento, prorrogadas; assim como se o efeito nas economias emergentes for ainda maior do que o projetado, caso as condições financeiras se tornem mais rígidas; ou ainda se o fechamento de empresas e o desemprego prolongado deixarem sequências generalizadas.

O novo coronavírus já infectou mais de dois milhões de pessoas e provocou mais de 120.000 mortes no mundo. Para frear a propagação, nas últimas semanas, mais da metade da população mundial foi convocada a permanecer em suas casas; comércios não essenciais fechados; e o tráfego aéreo registrou uma redução drástica, acentuando a queda nos preços do petróleo.

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Perdas generalizadas

“Esta crise não se parece com nenhuma outra”, declarou a economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, ao destacar que, “muito provavelmente”, o mundo vai registrar a pior recessão desde a Grande Depressão de 1929, superando com folga a contração provocada pela crise financeira de 2008. Na ocasião, a recessão em 2009 foi de apenas 0,1%, e os mercados emergentes cresciam a um ritmo sólido.

De acordo com os prognósticos do FMI, apenas duas economias escaparão este ano da recessão, mas, em ambos os casos, com crescimentos mínimos: a China, berço da Covid-19, vai avançar 1,2%, e a Índia, 1,9%. (AFP)

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