Economia

Empresários reafirmam que negociam compra de vacina

Cerca de 60 empresas teriam aderido à aquisição conjunta, embora grandes empresas, como Vale, Itaú e Vivo, tenham preferido não participar
Marco Polo Lopes, presidente do Instituto Aço Brasil, confirma a negociação. Crédito da foto: Agência Brasil / Arquivo

Apesar de o laboratório AstraZeneca e o fundo de investimento Blackrock terem declarado na terça-feira (26) que não têm vacinas contra a Covid-19 para fornecer à iniciativa privada, um grupo de empresários brasileiros reafirmou que continua a negociar 33 milhões de doses do laboratório, que distribui o imunizante em parceria com a Universidade de Oxford, destaca o Estadão. O movimento foi iniciado pelo grupo Coalizão Indústria na semana passada. Cerca de 60 empresas teriam aderido à aquisição conjunta, embora grandes empresas, como Vale, Itaú e Vivo, tenham preferido não participar.

O movimento de compra das vacinas tem como um dos coordenadores o advogado Fábio Spina, diretor jurídico da Gerdau, que tem trabalhado nas negociações dos imunizantes como voluntário. Spina confirmou que as conversas continuam. “A intenção (da coalizão) é gerar volumes adicionais de vacinas que, de outra forma, não estariam disponíveis para o Brasil”, disse. “As empresas estão preocupadas com a questão humanitária e com o pleno retorno da atividade econômica.”

Outro líder do movimento Coalizão Indústria, o presidente do Instituto Aço Brasil, Marco Polo Lopes, reafirmou que as negociações estão em curso. Ele destacou que a operação ocorre com o aval do governo federal. “Desde o início da pandemia, a indústria está ajudando a salvar vidas. E estamos num esforço para trazer essas 33 milhões de doses”, diz. Lopes ressaltou ainda que o investimento para comprar o lote seria de cerca de R$ 4,4 bilhões.

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Para o presidente do Secovi-SP, Basílio Jafet, a iniciativa, caso obtenha sucesso, é válida e poderá ajudar a “preencher lacunas” deixadas pelo governo federal tanto na compra quanto na distribuição das vacinas. Ele acredita que, caso a coalizão tenha acesso aos imunizantes, as empresas do setor da construção civil deverão adquirir doses para seus colaboradores.

Em nota, porém, a AstraZeneca afirmou: “Todas as doses da vacina estão disponíveis por meio de acordos firmados com governos e organizações multilaterais ao redor do mundo, (…) não sendo possível disponibilizar vacinas para o mercado privado”. No mesmo comunicado, a companhia disse: “Como parte do nosso acordo com a Fiocruz, mais de 100 milhões de doses estarão disponíveis no Brasil, em parceria com o governo federal.”

Após a negativa da AstraZeneca, o grupo de empresários esclareceu negociação de vacinas seria, na realidade, com fundos de investimento, como o Blackrock, que deteriam uma cota de imunizantes por serem acionistas do laboratório. Procurado, o Blackrock negou a informação. (Estadão Conteúdo)

 

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