Economia

Dólar sobe acima de R$ 3,70, pressionado por mercado externo

Perto do fechamento, o dólar bateu máximas e chegou a R$ 3,7317

 

 

Moeda terminou o dia em alta de 1,15%, cotado em R$ 3,7277. Crédito da foto: Arquivo JCS/ Aldo V. Silva

Com o cenário externo adverso nesta quinta-feira, 18, o dólar não conseguiu se sustentar abaixo de R$ 3,70 e terminou o dia em alta de 1,15%, cotado em R$ 3,7277. Em um dia de agenda esvaziada no Brasil, o aumento da aversão ao risco de investidores no mercado internacional estimulou a retirada de recursos do País, pressionando o câmbio e desencadeando um movimento de ajuste e realização de lucros, após o dólar cair 9% no mês. O risco Brasil medido pelo Credit Default Swap (CDS) subiu para 214 pontos-base, ante 211 do fechamento de quarta-feira, de acordo com cotações do IHS Markit.

Pela manhã, o dólar atingiu a mínima do dia, de R$ 3,6733. Operadores relatam que o próprio nível atraiu compradores ao mercado de câmbio, principalmente importadores e tesourarias de bancos, tentando recompor posições, o que fez a moeda voltar para os R$ 3,70. Para o diretor da corretora NGO, Sidnei Nehme, o dólar abaixo deste nível não é sustentável, considerando os riscos internos e externos. Ele acha mais provável a moeda seguir no patamar entre R$ 3,70 a R$ 3,80 nos próximos dias, na ausência de fatos novos.

Perto do fechamento, o dólar bateu máximas e chegou a R$ 3,7317, em meio a especulações das mesas de operação sobre quem vai ser o presidente do Banco Central em eventual governo de Jair Bolsonaro (PSL). O dirigente atual, Ilan Goldfajn, tem dito que fica até 31 de dezembro. Para os estrategistas da Icatu Vanguarda, muitos no mercado esperam que Ilan e parte da equipe econômica permaneçam em 2019. O primeiro desafio do novo governo que importa para os mercados locais será a formação de um time econômico capacitado para implementar as reformas necessárias no País, ressalta análise da gestora.

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Lá fora, um movimento de aversão ao risco afetou os mercados globais e levou o dólar a subir tanto em relação a emergentes quanto a moedas fortes. O cenário de incerteza tem raiz nas dúvidas em relação à condução da política monetária americana. Com a divulgação, nas últimas semanas, de dados melhores da economia dos Estados Unidos, há uma dúvida em relação à continuidade do gradualismo na elevação das taxas. Além disso, a questão do Orçamento da Itália segue incomodando os investidores e nesta quinta a Comissão Europeia deu prazo para a próxima segunda-feira para o país responder sobre a intenção de elevar o déficit para 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB), o triplo do previamente acordado.

Aqui, operadores apontam ainda que colabora para o mau humor a notícia de que empresas estariam financiando a compra de pacotes de mensagens a serem disparadas via WhatsApp contra o PT, para favorecer Jair Bolsonaro nas urnas. A situação seria ilegal, uma vez que poderia configurar doação de campanha por empresa, o que foi proibido nessas eleições. Nesta noite será divulgada uma nova pesquisa eleitoral, do Datafolha. (Estadão Conteúdo/Altamiro Silva Júnior e Barbara Nascimento)

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