Economia

Desemprego diminuiu no último trimestre de 2020

Recuperação do mercado de trabalho segue como desafio este ano
Desemprego diminuiu no último trimestre de 2020
Taxa de desocupação teve pequeno recuo no final do ano. Crédito da foto: Erick Pinheiro / Arquivo JCS (11/7/2018)

Meses depois do choque inicial provocado na economia pela pandemia de Covid-19, o mercado de trabalho permanece como um grande desafio para a recuperação da atividade econômica em 2021. Houve ligeira melhora na reta final de 2020, em linha com a tradicional geração de vagas temporárias para as festas de fim de ano, mas ainda insuficiente para absorver toda a população em busca de renda e oportunidade. A taxa de desemprego média anual saltou de 11,9% em 2019 para um ápice de 13,5% em 2020.

Os maiores baques foram em comércio (-1,702 milhão de vagas, em média), serviços domésticos (-1,198 milhão de trabalhadores) e alojamento e alimentação (-1,172 milhão). Todos os três setores bateram recordes de demissões. A indústria também demitiu em massa, alcançando quase um milhão de vagas extintas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), apurada desde 2012 pelo IBGE.

A taxa de desemprego encerrou o quarto trimestre aos 13,9%, pior resultado para o período desde o início da série histórica. Em relação à mesma época do ano anterior, foram perdidos 8,4 milhões de postos de trabalho. O País tem quase 14 milhões de desempregados. Se considerados todos os subutilizados, que incluem os desalentados e subempregados, está faltando trabalho para mais de 32 milhões de brasileiros.

Leia mais  Alesp aprova compra de vacina por SP

Houve melhora, porém, ante a taxa de desemprego de 14,1% registrada no trimestre encerrado em novembro.

“A taxa divulgada hoje (ontem) é para ser celebrada diante dos números anteriores, mas o cenário ainda é complicado. Devemos ter uma recuperação extremamente lenta no primeiro semestre deste ano e no segundo semestre ainda estaremos às voltas com o processo de vacinação e o presidente (Jair Bolsonaro) totalmente focado na eleição de 2022”, projeta Sergio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados.

“Para o início deste ano, a expectativa é de crescimento ainda moderado do ritmo e da qualidade da retomada do mercado de trabalho. Os limites estão associados à recente renovação das medidas de isolamento social, ao lento início da vacinação, e ao fim das políticas de incentivo fiscal e monetário às famílias e empresas. Como o mercado de trabalho deve ser insuficiente para absorver os atuais inativos, deve haver aumento da taxa de desocupados”, diz Lucas Assis, analista da Tendências Consultoria Integrada.

A recuperação do mercado de trabalho demandará tempo e dependerá da evolução da pandemia do novo coronavírus, avalia Adriana Beringuy, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE. “Foram perdas muito profundas. Reverter esse quadro vai demandar não só tempo, mas o que vai acontecer ao longo desse tempo: como as atividades econômicas vão operar e as questões do controle sanitário.” (Daniela Amorim, Gregory Prudenciano – Estadão Conteúdo)

Comentários