Economia

Década de 2010 é a com menor crescimento econômico em 120 anos

Entre 2011 e 2020, a taxa média de crescimento econômico no Brasil foi de apenas 0,9%

O final de 2020 deve ser marcado por um fato negativo: esta é a década com o menor crescimento econômico do país na história. A fragilidade da economia afetou a saúde financeira das empresas, o que reduziu a média de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do país, entre 2011 e 2020.

Um estudo do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), entidade ligada à Fundação Getúlio Vargas (FGV), projeta um crescimento médio econômico de 0,9% nesta década. Caso a previsão seja confirmada, esse será o desempenho mais fraco da economia brasileira em 120 anos.

A média é mais baixa até do que o desempenho da década de 80, detentora da alcunha de piores anos de desenvolvimento econômico nacional. Entre 1981 e 1990, o PIB avançou cerca de 1,6% ao ano. O resultado foi considerado tão ruim que os anos 80 foram taxados como a “década perdida” pelos economistas.

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Pior e melhor desempenho do crescimento econômica nacional

De acordo com o levantamento do Ibre e da apuração do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), a década de 2010 será a única com a taxa média de crescimento econômico abaixo de 1%.

Depois de uma retomada no crescimento econômico após a década perdida, a economia brasileira voltou a piorar com a crise que atingiu as condições macroeconômicas do país de 2014 para cá.

A década de 1990 e 2000 apresentaram um bom crescimento econômico para o país, tendo médias de 2,6% e 3,7%, respectivamente.

O que causou um desempenho econômico tão fraco?

Nesta década, o Brasil enfrentou a pior recessão da sua história. Entre 2014 e 2016, o PIB despencou, o desemprego aumentou, o consumo das famílias caiu, o investimento das empresas diminuiu e o endividamento dos brasileiros aumentou.

Desde 2014, a economia do país sofreu com deficits consecutivos nas contas públicas, o que acelerou o nível de endividamento do país. Com isso, a saúde financeira do Brasil foi gravemente afetada, o que contribuiu para o baixo crescimento econômico.

Os piores anos da crise ocorreram em 2015 e 2016, quando o PIB caiu 3,5% e 3,3%, respectivamente. Para se ter uma ideia da gravidade, o país não sofria dois anos seguidos de recessão desde 1930 e 1931, logo após a Crise de 1929 com a queda Bolsa de Nova York.

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Economia estagnada

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou que a lenta recuperação econômica, que aconteceu de 2017 para cá, se estagnou. Segundo especialistas, o Brasil nunca sofreu tanto para sair de uma recessão como agora.

O PIB do país cresceu 1,1% em 2017 e 2018 e, mesmo assim, neste ano, o país se deparou com a frustração das expectativas em relação a um crescimento superior do PIB, na casa de 2% a 3%.

Rombo do governo

Um dos principais problemas que o país vem enfrentando desde o estopim da crise em 2014 é o rombo nas contas públicas. Desde então, em todos os anos, o governo gastou bem mais do que arrecadou.

Por isso, tanto se falou de 2016 para cá da necessidade de reformas, como a Reforma Trabalhista e a Reforma da Previdência, já aprovadas no Congresso Nacional. A expectativa é que as reformas consigam conter o rombo nas contas públicas e auxiliem na recuperação da confiança e da capacidade de investimento.

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A retomada do consumo das famílias e outros motores essenciais para uma recuperação econômica mais robusta também são esperados. Porém, o crescimento acentuado dos motores econômicos esbarra na instabilidade econômica e no alto índice de desemprego dos últimos anos.

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