Economia

Copom mantém juros a 6,50% ao ano em um dia de mercado oscilante

Foi a primeira reunião do Copom desde que o economista Roberto Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, nesta quarta-feira (20), por unanimidade, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 6,50% ao ano. Foi a primeira reunião do Copom desde que o economista Roberto Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central, no lugar de Ilan Goldfajn.

A manutenção confirma a expectativa do mercado financeiro. Conforme levantamento do Projeções Broadcast, a expectativa de todas as 43 instituições do mercado financeiro consultadas era de manutenção do juro em 6,50%. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 7 e 8 de maio de 2019.

Bolsa brasileira registrou um dia de instabilidade no mercado. Crédito da foto: Arquivo AFP / Nelson Almeida

Esta quarta-feira (20), de agenda extensa e relevante, trouxe expectativa e instabilidade ao mercado brasileiro de ações, que esteve suscetível a uma série de fatores. A apresentação da proposta de reestruturação da previdência dos militares manteve-se como o principal assunto do dia, mas também dividiu as atenções com as reuniões de política monetária do Federal Reserve e do Banco Central brasileiro. O Índice Bovespa oscilou em terreno negativo durante quase todo o pregão e fechou em queda firme, de 1,55%, aos 98.041,37 pontos.

Leia mais  Inflação para famílias de baixa renda sobe 0,43% em julho

A proposta dos militares foi entregue no Congresso pelas mãos do presidente Jair Bolsonaro, que estava acompanhado pelos ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. O documento prevê que as medidas terão impacto de R$ 10,45 bilhões em dez anos e R$ 33,6 bilhões em vinte anos.

Em uma primeira leitura, os números apresentados foram recebidos com alguma frustração pelo mercado, que esperava uma economia maior. Mas atribuir toda a queda do Ibovespa a esse fator seria exagero, segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. As bolsas de Nova York fecharam majoritariamente em queda, com destaque para os papéis do setor financeiro, que influenciaram os negócios por aqui. Operadores e analistas afirmam que uma parte da queda pode ser considerada uma realização de lucros, com o mercado corrigindo parte do otimismo dos últimos dias.

Leia mais  PIB da região de Sorocaba cresce em média 3% ao ano

“A pesquisa do Ibope apontando queda da popularidade do presidente e a frustração com a economia menor que o esperado na previdência dos militares foram fatores que contribuíram para a queda do Ibovespa. Mas não podemos deixar de fora as mudanças bruscas pelas quais passou o mercado internacional depois da reunião do Federal Reserve”, disse Alvaro Bandeira, economista-chefe da ModalMais.

Para Glauco Legat, analista da Necton, além de alguma frustração com o projeto dos militares, o mercado também pode ter levado em conta os diversos obstáculos que estão por vir na tramitação da reforma da Previdência. “Embora tenhamos um cenário bastante propício à aprovação da reforma, ainda há muitos riscos e ninguém arrisca dizer qual será o ‘timing’ e o montante”, disse.

Antes da divulgação da proposta dos militares, o Ibovespa havia tido seu pior momento por volta das 13h30. Pesava naquele momento a influência negativa do mercado norte-americano, que operava na expectativa pelo desfecho da reunião do Federal Reserve. Mas foi justamente o Fed o responsável pelo melhor momento do dia. Ao anunciar que provavelmente não irá mais elevar as taxas de juros nos EUA – a projeção anterior era de duas altas em 2019 – o Fed promoveu uma melhora nos mercados americanos e o Ibovespa tocou pontualmente o terreno positivo, chegando à máxima de 99.707,96 pontos (+0,12%). (Estadão Conteúdo)

Comentários

CLASSICRUZEIRO