Economia

Botijão de gás custa R$ 75 em Sorocaba

Governo e Petrobras mudam regras de reajuste para produto básico
Preço do botijão de gás custa R$ 75 em Sorocaba
Mesmo pesquisando, consumidor não encontra GLP por menos de R$ 60 em Sorocaba. Crédito da foto: Fábio Rogério

O valor do botijão de gás de cozinha (GLP) vem subindo para o consumidor e em Sorocaba chega a custar R$ 75. A política de preços sofreu mudanças e há oscilação no mercado. Os donos de revendedoras da cidade dizem que têm que absorver os aumentos para não repassar ao preço final.

No início de agosto, a Petrobras anunciou uma redução de 8,17% nas refinarias e no mesmo dia mudou a regra para os botijões de 13 kg. O reajuste não tem mais periodicidade definida e usará como referência o preço de paridade de importação, informou a companhia. Antes, os ajustes ocorriam a cada trimestre levando em conta a média móvel de cotações internacionais e de câmbio dos últimos 12 meses.

Já no final de agosto, o governo aprovou o fim da diferenciação de preços do gás de cozinha. Atualmente, o botijão residencial de 13 kg tem um subsídio, mas todos os demais envasamentos (comercial por exemplo, em botijões maiores) não contam com o mesmo benefício. Essa mudança, no entanto, começa a valer daqui a seis meses, em 1º de março de 2020. A expectativa do governo é que o fim do subsídio incentive a concorrência no setor e ao final o preço caía para o consumidor.

Leia mais  Nobel de Economia 2019 vai para iniciativa em aliviar a pobreza no mundo

E por último, o aumento entre 2% e 3% pelas distribuidoras, na semana passada, puxou mais uma vez o preço para cima. O reajuste não foi da Petrobras, mas das empresas transportadoras e distribuidoras. Fica até difícil saber quais os fatores que incidem sobre o preço do GLP e em quais proporções.

Em Sorocaba, o preço máximo constatado na pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) na semana passada era de R$ 75, com mínimo de R$ 60 e média de R$ 68,31. Alguns representantes de revendedoras de Sorocaba disseram que não irão repassar o aumento ao consumidor, para não perder clientes, pois consideram que o preço já está caro.

Conforme Tiago Bento França, proprietário da revendedora Sorocabagas e Água, o reajuste foi de R$ 1,50. “Mas não repassamos para o consumidor, estamos segurando o máximo”, disse. Ele afirma que infelizmente tem muitos clandestinos se aproveitam da situação. “Eles jogam o preço lá embaixo, enquanto nós que temos nota fiscal, licença e tudo o mais para funcionar da maneira correta acabamos prejudicados.” França vende o botijão a R$ 65.

Leia mais  Mercado financeiro espera que 2019 termine com inflação em 3,42%

Queda nas vendas

Preço do botijão de gás custa R$ 75 em Sorocaba
Revendedoras “seguram” reajuste por causa da concorrência. Crédito da foto: Erick Pinheiro / Arquivo JCS

Angela Marina Rosa, proprietária da revendedora Anjo Gás, na Vila Barão, tem notado queda nas vendas há uns dois meses. Ela calcula que a empresa perdeu 250 vendas no mês. Para ela, uma das causas foi o anúncio de que o governo iria baixar o preço do gás e isso não ocorreu. “O pessoal solta notícia no jornal e os clientes se apegam a isso. Se esquecem que temos impostos para pagar e tudo o mais”, diz.

Conforme Angela, com o recente aumento do preço pelas distribuidoras, a situação ficou mais complicada, mas ela não repassará o preço ao consumidor. “Como estamos vendendo a R$ 75, se repassasse o aumento, teria de cobrar R$ 76,85”, considera.

O preço do botijão tem oscilado bastante, mas não caiu como era esperado. Angela aguarda que, como anunciado pelo governo, realmente ocorra uma queda significativa. “Para a gente também vai ser boa essa redução porque quando aumenta ficamos prejudicamos pela queda nas vendas, e essa queda é para um bem maior. Acredito que o País esteja precisando disso mesmo.”

Leia mais  Pesquisa mostra aumento das intenções de compra na 'Black Friday'

Para o caminhoneiro aposentado Sérgio Lamare, que na semana passada precisou trocar seu botijão, o preço é muito caro, principalmente para as famílias que ganham um salário mínimo e têm aluguel para pagar. “Tinha que baixar, afinal o gás é necessário, as pessoas dependem dele para cozinhar”, afirma. No caso dele, como vive apenas com a esposa, consegue economizar. “Usamos pouco.” (Daniela Jacinto)

Comentários

CLASSICRUZEIRO