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Após altas, cesta básica sorocabana cai 1% em março

11 de Abril de 2021 às 00:01
Kally Momesso [email protected]

Após altas, cesta básica sorocabana cai 1% em março A batata apresentou queda de 7,8% por causa da maior oferta devido à safra. Crédito da foto: Fábio Rogério (9/4/2021)

A diminuição no preço do leite em 9,3% ajudou a puxar o valor da cesta básica sorocabana para baixo em março, após altas em novembro, dezembro e fevereiro. Quando comparado com fevereiro, o preço da cesta apresentou uma queda de 1% no mês passado, de R$ 910,73, para R$ 901,60, ou seja, R$ 9,13 pagos a menos pelo consumidor, segundo o levantamento feito pela Universidade de Sorocaba (Uniso).

De acordo com a pesquisa, a redução em março de 2021 foi no sentido contrário da inflação do mês. O IPCA apresentou alta de 0,93%. Dessa forma, no cálculo da inflação, alimentos de consumo básico ficaram, em média, mais baratos e, em contrapartida, bens e serviços em geral ficaram, em média, mais caros.

Dos 34 itens pesquisados na cesta básica sorocabana, 15 deles apresentaram queda no preço. O leite longa vida e a batata caíram 9,3% e 7,8%, respectivamente. O leite passou de R$ 4,41 o litro em fevereiro, na média, para R$ 4,00 em março, enquanto a batata, passou de R$ 5,87 o quilo para R$ 5,41, na comparação entre o segundo e terceiro mês do ano. Também apresentaram queda nos preços a carne de 1ª, o frango e a muçarela.

Sobre a queda nos preços, o professor de economia da Uniso e coordenador da pesquisa, Lincoln Diogo Lima, explicou que “são vários fatores que contribuem, mas o principal é a baixa demanda”. “A conjuntura atual, a crise econômica e o desemprego elevado estão afetando a procura por esses itens. Mesmo diante do aumento de custos significativos, os produtores estão reduzindo as suas margens na hora de repassar para os clientes”, disse Lima.

Para o economista, o motivo para a desvalorização do leite se deve ao enfraquecimento da demanda por lácteos. Já no caso da batata, a colheita da safra ampliou a oferta do produto e, assim, contribuiu para a queda do seu valor.

Alguns itens tiveram alta no preço em março. O alho e a farinha de mandioca aumentaram 5,5% e 4,8%, respectivamente.

Após altas, cesta básica sorocabana cai 1% em março Levantamento indicou alta de 4,8% na farinha de mandioca. Crédito da foto: Fábio Rogério (9/4/2021)

Apesar do preço da cesta básica ter diminuído, os consumidores alegam que os valores ainda não representam um alívio. De acordo com a Samira Charabe de Godoi, os preços não caíram. “Teve uma concorrência que fez essa flutuação de valores, mas não teve diminuição”, disse. “O arroz é básico. Há uns 20 dias atrás, o arroz estava na faixa de R$ 28 ou R$ 30. Ontem (na sexta-feira), ele estava R$ 26. Dois reais tem diferença, mas não era para estar nesse preço”, observou Samira. A solução para ela é substituir os produtos. “Tem que buscar outras alternativas, comprar frango ou comprar uma quantidade menor. Mas não tem por onde fugir”, relatou ela.

A observação da Ivani Vidal não foi diferente. “Eu acho que está tudo caro. Tem semana que está um pouco melhor, mas está muito caro”, e continuou, “eu acho que nada mais vai abaixar. A tendência é subir”.

Essa percepção dos consumidores foi explicada pelo economista. “É que a cesta básica subiu muito nos últimos meses. Apesar dessa queda, ela subiu desde meados de setembro do ano passado e teve alta expressiva”. Ele explicou ainda que na comparação de março de 2021 com o mesmo mês de 2020, o aumento é de 30,08%. “O patamar está muito elevado, apesar da queda”, concluiu. (Kally Momesso - programa de estágio / Supervisão: Marcelo Roma)