Economia

Agravamento da pandemia afeta indústria, avalia IBGE

Setor teve queda de 0,7% em fevereiro, mas opera acima do nível pré-pandemia
Agravamento da pandemia afeta indústria, avalia IBGE
Inflação e desbastecimento de insumos também prejudicam desempenho industrial. Crédito da foto: José Paulo Lacerda / Arquivo CNI

O recrudescimento da pandemia de Covid-19 no País afetou o desempenho da indústria, que recuou 0,7% em fevereiro ante janeiro, interrompendo uma sequência de nove meses de recuperação, conforme os dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A piora da pandemia traz efeitos, restrições de mobilidade, faz com que unidades produtivas tenham que fazer novos rearranjos, interrupção de turnos”, disse André Macedo, gerente da Coordenação de Indústria do IBGE.

No entanto, o pesquisador lembra que a indústria tem sido afetada também por um conjunto de fatores, como o fim do pagamento do auxílio emergencial à população, mercado de trabalho com desemprego elevado, inflação em alta, aumentos de custos e desabastecimento de insumos para a produção de bens finais.

A expectativa é que o agravamento da disseminação de Covid no País em março e a ampliação das medidas restritivas de combate à doença tenham afetado mais unidades produtivas.

“A gente via em janeiro e fevereiro algumas localidades já com dificuldades. Em março, isso toma uma proporção maior, inclusive com restrições de mobilidade em grandes centros urbanos. Claro que todas essas informações nos trazem um entendimento de algum tipo de perda para o dinamismo industrial. O que a gente tem, a priori, são informações de março com recrudescimento da pandemia, afetando unidades produtivas. Claro que traz prejuízos importantes para o ritmo de produção”, afirmou Macedo.

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Fevereiro de 2020

O resultado negativo em fevereiro interrompe uma sequência de nove meses de altas, período em que o setor industrial acumulou um avanço de 41,9%. A indústria opera 2,8% acima do nível de fevereiro de 2020, pré-pandemia, mas está 13,6% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011.

A indústria acumula alta de 1,3% no ano de 2021. Em 12 meses, a produção acumula queda de 4,2%, de acordo com o IBGE.

Apesar da perda registrada na produção em fevereiro, 17 das 26 atividades investigadas recuperaram as perdas e operam em nível superior ao pré-crise sanitária.

Os níveis mais elevados em relação ao patamar de fevereiro de 2020 foram os registrados pelas atividades de máquinas e equipamentos (18,6%) e produtos de metal (13,8%).

No extremo oposto, os segmentos mais distantes do patamar de pré-pandemia são outros equipamentos de transporte (-20,0%) e manutenção de máquinas e equipamentos (-12,1%). (Estadão Conteúdo)

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