Cultura

Vagões do famoso Trem Ouro Verde devem voltar a Sorocaba

Projeto quer trazer e preservar cinco vagões de passageiros que estão abandonados em pátios do interior
Vagões do famoso Trem Ouro Verde devem voltar a Sorocaba
Vagões farão parte de exposição temporária alusiva à história do transporte ferroviário. Crédito da foto: Reprodução / Nossa Estrada

Cinco vagões que compuseram o famoso Trem Ouro Verde, da Estrada de Ferro Sorocabana (EFS), devem retornar a Sorocaba em 2021 para abrigar uma exposição temporária alusiva à história do transporte ferroviário de passageiros.

É o que prevê o projeto EFS Ouro Verde — 80 Anos, da Sorocabana — Movimento de Preservação Ferroviária, mantenedora do Centro de Memória Ferroviária de Sorocaba.

Aprovado pelo Programa de Ação Cultural ICMS (ProAC Expresso ICMS), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, ele permite captar até R$ 269 mil junto à iniciativa privada.

O projeto visa resgatar cinco vagões de passageiros construídos em 1937, de propriedade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), gestor do patrimônio da extinta Fepasa, e que atualmente estão abandonados em pátios de várias cidades do interior paulista.

Além da exposição, também será realizada uma ação de educação patrimonial na Estação Paula Souza. Os investimentos, a título de patrocínio, podem ser deduzidos do ICMS a ser pago pelas empresas à Secretaria Estadual da Fazenda.

De acordo com a Associação, o valor mínimo necessário à efetivação do projeto (35% do total) foi garantido junto às empresas Sorocaba Refrescos, Votorantim Cimentos, Rumo Logística e Unniroyal. O prazo para conseguir levantar o restante dos recursos vence em dezembro deste ano.

Projetos de restauro

Um dos principais objetivos da ação é garantir a salvaguarda desses vagões para futuros projetos de restauro. Eles foram usados até a década de 1970 no transporte de passageiros e possuem grande importância para a história da indústria ferroviária mundial, por suas inovações tecnológicas, mas corriam risco de perda, por corte como sucata em leilões da União ou pelo vandalismo ao qual vêm sendo submetidos nas últimas duas décadas — e que já ameaçam bastante a sua integridade estrutural e mecânica.

Vagões do famoso Trem Ouro Verde devem voltar a Sorocaba
Vagão de primeira classe do Trem Ouro Verde, um dos que serão utilizados na exposição. Crédito da foto: Cortesia

Construídos em 1937, na Alemanha, pelas fábricas Linke Hofmann, de Breslau, e Busch, de Bautzen, que formavam a Linke Hofmann Werke (LHW), esses veículos ferroviários foram os pioneiros da EFS a empregarem o aço carbono em sua estrutura, substituindo os antigos veículos de madeira.

Sua utilização deu-se na ligação entre São Paulo, Assis e Presidente Epitácio, tendo sido realizada a primeira viagem em 12 de outubro de 1938, para autoridades, entre São Paulo e Sorocaba.

A Sorocabana — Movimento de Preservação Ferroviária destaca que as empresas apoiadoras do projeto receberão contrapartidas de patrocínio e divulgação de marca na exposição e em outras ações.

Interessadas em destinar ICMS ao projeto podem entrar em contato com a proponente pelo e-mail mpfsorocabana@gmail.com ou pelos telefones (15) 99157-0935 e (15) 98146-5211. Outras informações estão disponíveis no site do ProAC Expresso ICMS: http://www.proac.sp.gov.br/proac_icms/principal/.

O poder do café

Vagões do famoso Trem Ouro Verde devem voltar a Sorocaba
A inauguração do trem, que tem nome alusivo ao transporte de café, foi em 1938. Crédito da foto: Reprodução / Nossa Estrada

O nome do mais famoso trem da EFS, “Ouro Verde”, faz referência ao café transportado pela linha da Estrada de Ferro Sorocabana.

Também reconhecida como um dos vetores de desenvolvimento e progresso econômico da histórica de Sorocaba, juntamente com o tropeirismo do século 19 as indústrias têxteis, do início do século 20, a Estrada de Ferro Sorocabana foi criada em 2 de fevereiro de 1870 por empresários liderados pelo comerciante de algodão Luís Matheus Maylasky.

Inicialmente concebida para transportar as safras de algodão, o produto logo se revelou insuficiente, levando a ferrovia a enfrentar sérias dificuldades financeiras.

Por isso, em 1880, convencido de que o sucesso da ferrovia estava condicionado ao transporte do café, Francisco de Paula Mayrink, o novo líder, expandiu seus trilhos na direção de Botucatu, para atingir as regiões cafeeiras, indo até Assis, e depois Presidente Epitácio, na divisa com o Mato Grosso do Sul no Rio Paraná. (Felipe Shikama)

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