Cultura

Théo Siqueira ganha concurso internacional

Pianista sorocabano de 13 anos conquistou o 1º lugar no London Young Musician, importante competição de música clássica
Théo Siqueira afirma que prêmio é resultado de disciplina e gosto pela música. Crédito da Foto: Divulgação

O pianista sorocabano Théo Siqueira de Proença Singh, de apenas 13 anos, conquistou o 1º lugar no London Young Musician, considerado um dos mais importantes concursos de música clássica do mundo para instrumentistas e cantores com até 28 anos de idade.

O anúncio dos vencedores foi divulgado no último final de semana, após uma criteriosa análise dos vídeos das performances de cem candidatos em sua categoria, realizada por uma comissão julgadora formada por músicos e educadores consagrados, como Harry Nowakowski-Fox e Bocheng Wang.

“Me senti muito feliz por poder representar o nosso país, pelo resultado do meu esforço e também porque esta é a primeira vez que eu ganho o primeiro lugar em um concurso internacional. É uma grande conquista para mim”, comenta Théo, que em 2019, ao fazer uma viagem com a família para a Espanha, disputou o 9º Concurso Internacional de Piano Maria Herrero, em Granada, e conquistou o Prêmio Musicalidade.

De lá para cá, Théo passou a disputar outros concursos internacionais que, em função da pandemia de Covid-19, passaram a ser realizadas de maneira virtual.

Adriane Siqueira de Proença Sing, mãe de Théo, conta que a maior parte dos concursos impõe uma série de regras para o envio dos vídeos, como estar vestindo roupa social e usar de piano de cauda. Ela conta que para inscrever o filho, conseguiu permissão para usar o piano de cauda do clube de campo do Pró-Vida, em Araçoiaba da Serra. “Como ele [Théo] é muito perfeccionista, ele gravava várias vezes. Diz que sempre pode ficar melhor”, relata a mãe.

Leia mais  Secult aguarda decreto estadual

Na competição britânica, Théo interpretou peças do austríaco Joseph Haydn e um concerto alemão Robert Schumann, ambas de alto grau de dificuldade e que são pouco usuais no repertório até mesmo de pianistas consagrados.

A sonata de Hyden, explica ele, assim como boa parte das peças do período barroco, foi escrita originalmente para cravo — antes da invenção do piano — e por isso impõe uma abordagem diferente. “Tem que tomar muito cuidado para que o som não saia muito arisco”, detalha. Já a peça romântica de Schumann, afirma ele, é divida em três partes, sendo a primeira “bem majestosa e forte”.

Esse repertório foi apreendido e aperfeiçoado ao longo de 2020 nas aulas particulares de piano que Théo faz semanalmente com sua professora, em Santo André. Por causa das medidas de isolamento social, as aulas seguem sendo feitas de maneira remota.

Outros prêmios

Além do London Young Musician, o jovem pianista participou recentemente e obteve destaque em outros concursos internacionais, como o segundo lugar no King’s Peak International Music Competition, dos Estados Unidos; o terceiro lugar no Internationaller Klavierwttbewerb Gloria Artis, de Viena; o quarto lugar na competição internacional de piano de Putra, na Malásia e o sexto lugar no Neapolitan Master Competition, da Itália.

Leia mais  Orlando Drummond é vacinado contra o coronavírus aos 101 anos

Adriane comenta que assim como Ronnie, o pai de Théo, ela não toca nenhum instrumento, mas o casal sempre incentivou os filhos a tocarem um instrumento musical. O irmão de Théo, Ravi, de 10 anos, está estudando violino. “A única coisa é que na gravidez eu ouvia música clássica”, comenta a mãe.

Habilidoso nas teclas e com ouvido apuradíssimo, Théo se mostrou um prodígio do piano, chamando a atenção de seus professores. A mãe relata que certa vez, enquanto a família aguardava um voo no aeroporto de Roma, na Itália, uma pessoa tocou uma música em um piano disposto no saguão. “Em seguida, o Théo foi lá, sentou lá e tocou a mesma música, de ouvido, porque ele nunca tinha ouvido. Foi uma surpresa para a gente”, recorda a mãe.

Apesar da exímia percepção auditiva, Théo afirma que o segredo para a sua evolução está na disciplina, já que, além das aulas, dos exercícios de teoria musical e leitura de partitura, tem o hábito de praticar o instrumento duas horas por dia. “Eu tenho uma rotina para estudar”, relata, destacando que, como qualquer outro menino de sua idade, também gosta de brincar com o irmão e o cachorro Ginga.

O garoto que completou 13 anos no último dia 24 de outubro ressalta que também gosta de ouvir todos os estilos de música, “não só música clássica, mas também rock e pop” e que ainda não tem certeza do que quer ser quando crescer. “Pode ser que eu seja pianista profissional. Ainda é cedo para pensar, tem muitas coisas que eu gosto de fazer. O piano é uma das opções”, conclui. (Felipe Shikama)

Comentários