Cultura

Secretário fala dos novos desafios da Cultura em Sorocaba

Titular da Secult, Luiz Antonio Zamuner trabalhará para fortalecer o setor e promover o fomento cultural nos bairros
Secretário fala dos novos desafios da Cultura em Sorocaba
Zamuner diz que quer ouvir a todos, está aberto ao diálogo e a boas ideias. Crédito da foto: Fernando Rezende (13/1/2021)

Encontrar soluções criativas para garantir a fruição das atividades culturais e artísticas em Sorocaba, em meio à pandemia, e preparar os próprios da Secretaria da Cultura (Secult) para receber o público na retomada após vacinação são alguns dos desafios de Luiz Antonio Zamuner, novo titular da pasta.

O novo secretário também pretende levar para a gestão pública a expertise da área de formação cultural — tanto de plateia quanto de músicos — acumulada ao longo dos anos em que foi diretor e presidente da Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec).

Essa experiência, a propósito, foi o que motivou o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), a nomeá-lo no dia 1º de janeiro como titular da pasta. “Sinto-me honrado pela oportunidade, pois tenho boa vontade de ajudar”, comenta Zamuner.

Como é praxe há pelo menos uma década, o Mais Cruzeiro publica entrevista com o novo titular da pasta para falar sobre os planos e desafios para a área cultural da cidade.

Há menos de 15 dias no cargo, Zamuner recebeu a reportagem na Casa 52, sede da Secult, na quarta-feira (13) e, por quase duas horas, falou sobre os desafios que terá à frente do cargo e seu estilo de trabalho. “Estou aberto ao diálogo e a boas ideias. Quero ouvir todo mundo”, destaca.

O secretário revela que o principal pedido de Manga ao convidá-lo para comandar a pasta foi para que as atenções  se voltassem para a cultura nos bairros.

Relembrando o pensamento do intelectual Alfredo Bosi, que distingue a cultura de massa da cultura popular e da cultura erudita, o novo secretário afirma, além de promover a descentralização das atividades de formação e fruição, que pretende criar políticas que deem oportunidades para a população, especialmente da periferia, de fortalecer sua própria cultura popular e de experimentar a chamada cultura erudita.

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“O baile funk, que sabemos que existe, é uma cultura de massa; mas é justo que um jovem tenha ao menos a opção, a oportunidade, de experimentar outra coisa. Por que ele não pode, também, ter acesso a um quarteto de cordas e se emocionar?”, questiona.

Antes de começar a entrevista, o novo secretário fez questão de apresentar ao repórter o Jardim Maylasky, área na região central que, além da Casa 52, também abriga o Museu da Estrada de Ferro Sorocabana e o Chalé Francês, sede da Pinacoteca Municipal.

“A primeira coisa que fiz foi mandar cortar todo o mato que estava alto”, revela, mostrando, ainda, marcas do tempo que clamam por reforma e manutenção. “Tem muita coisa urgente para ser feita e tem coisa que é mais demorada. Eu espero ter tempo de fazer, porque vontade e disposição de ajudar não faltam”, confessa.

A secretaria

Ao mesmo tempo em que “toma pé” da situação da secretaria, que possui 76 funcionários e, em 2021, terá orçamento de R$ 9,6 milhões, Zamuner, desde que assumiu, vem realizando visitas e produzindo relatórios sobre os 15 próprios de responsabilidade da pasta.

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“Os que mais me alegraram foram o CEU das Artes [no Parque das Laranjeiras] e a Biblioteca Infantil Municipal”, comenta, admitindo que o Teatro Municipal Teotônio Vilela (TMTV) está sem rider técnico, de som e luz, e a Biblioteca Jorge Guilherme Senger sofre com goteiras e infiltrações.

Cirurgião dentista por formação, Zamuner é músico amador (possui ouvido absoluto e toca violão e piano) e amante das artes em geral. Isso o levou à diretoria da Fundec, onde ocupou os postos de vice-presidente, primeiro secretário, diretor técnico a até presidente por duas gestões (2016-2017 e 2018-2019).

Pesquisador sobre vida e obra de artistas de diferentes expressões, épocas e estilos, que vão de João Gilberto a Racionais MC’s, passando por Beethoven, Zamuner também é conselheiro consultivo do Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) e frequentador assíduo de espaços de efervescência cultural da cidade como o Sesc e a Feira do Beco do Inferno.

O novo secretário reconhece as dificuldades que boa parte da classe artística e dos profissionais da cultura vem passando em função da pandemia e admite que o poder público pode desenvolver ações, como editais de fomento, para auxiliar esses profissionais atingidos por conta da crise.

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“Se não pudermos realizar de maneira presencial, queremos realizar todos os eventos que a lei permite [como o Festival Tropeiro de Teatro e a Semana Municipal do Hip Hop] pela internet”, comenta.

Conferência municipal

Caberá, ainda, à gestão de Zamuner, promover a Conferência Municipal de Cultura, inicialmente prevista para ocorrer em 2020, mas que acabou sendo adiada por causa da pandemia.

De acordo com o Sistema Nacional de Cultura, a conferência faz-se necessária para que poder público e sociedade civil realizem o processo de revisão do Plano Municipal de Cultura (PMC), sancionado em 2015.

Segundo Zamuner, que participou da elaboração do plano, quando era diretor da Fundec, o PMC é positivo, mas traz metas audaciosas, muitas vezes, com prazos inexequíveis.

“É melhor ter um plano mais realista e possível de ser cumprido do que uma peça de ficção. O plano, no papel, é bonito, mas faltou combinar com os russos”, diz.

Zamuner acrescenta que também pretende retomar a articulação junto ao governo estadual, para viabilizar a reforma da antiga Oficina Cultural Grande Otelo, e também ao governo federal.

Nos próximos meses, ele deve ir a Brasília para buscar recursos junto a representantes da Funarte e da Secretaria Especial da Cultura. (Felipe Shikama)

 

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