Cultura

Romance tem como cenário a cidade das décadas de 20 e 30

Histórias acontecidas em Sorocaba são pano de fundo do nova obra de Carlos Cavalheiro
Carlos Carvalho Cavalheiro é autor de 25 livros, dos quais três este ano. Crédito da foto: Divulgação

Ruas, becos, praças e fábricas têxteis da Sorocaba das décadas 1920 e 1930 são cenários do romance “Entre o sereno e os teares”, do escritor sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro. O livro acaba de ser publicado e está sendo vendido diretamente pelo autor, ao valor de R$ 25, pelo e-mail carlosccavalheiro@gmail.com. Reconhecido como um dos principais pesquisadores da história da região de Sorocaba na atualidade, Cavalheiro conta que, apesar de ser uma obra ficção, o ambiente do livro retrata como era Sorocaba naquela época, já que os personagens estão inseridos em um contexto permeado por uma série de episódios factuais da história.

Com 120 páginas, o livro que conta a história de Rodrigo Trindade, um malandro capoeirista apelidado de Meia-Volta, e Zilda, uma operária e militante anarquista, e é ambientado em meio a acontecimentos reais, garimpados nas diversas pesquisas feitas pelo autor há mais de 20 anos. “Eu fui guardando tudo aquilo que eu achava interessante em documentos, notícias e até propagandas de jornais antigos, mas que, por alguma razão, não se encaixava na minha pesquisa”, afirma.

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O autor revela que greves, revoluções, cotidiano da cidade, fatos curiosos, crendices, tradições sorocabanas estão retratados no romance, que destaca também a perseguição e repressão policial aos adivinhos e às meretrizes, ocorridas respectivamente em 1927 e 1931. “É um romance com protagonistas subalternizados e invisibilizados pela historiografia. Tem todo um contexto histórico, mas é o cruzamento de dois modos de vida, o dele, da boêmia e o dela, do mundo do trabalho”, diz.

Cavalheiro pondera que “Entre o sereno e os teares” não se trata exatamente de um romance histórico, mas de uma ficção que transforma acontecimentos importantes, curiosos e inusitados como pano de fundo. O romance aborda, ainda, o advento das indústrias têxteis, o auge do anarquismo e o acelerado ritmo de aburguesamento da cidade. Há, também, a aparição de personagens reais como o delegado Américo de Carvalho, o jornalista Hilário Correia, a vereadora Salvadora Lopes e o místico João de Camargo.

A obra foi escrita entre os anos de 2012 a 2014 e publicada agora pela editora Costelas Felinas, de São Vicente. Produzido artesanalmente, o livro possui capa dura com “lombada” costurada à mão.
Autor de 25 livros, sendo a maior parte dedicado à história de movimentos e personagens da região — dentre eles a “Memória operária”, “Notas para a história da capoeira em Sorocaba” e “Salvadora!”, biografia de Salvadora Lopes” –, Cavalheiro revela que, além de ser um desejo antigo de escrever um romance, esta foi uma forma de compartilhar seus achados para um público mais abrangente. “Desde criança o meu sonho era ser escritor. Foi uma experiência interessante publicar um romance. Eu já publiquei outros livros de ficção, mas eram contos, livro de humor e poesia”, afirma o autor que, somente neste ano, teve três livros lançados. Além de seu romance de estreia, publicou “Sorocaba Lusitana”, em parceria com Marcelo Carvalho Cavalheiro, e “Tá vendo aquele edifício, moço?: Lugares de memória, produção de invisibilidade e processos educativos na cidade de Sorocaba”.

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