Cultura

Processo criativo de Pedro Lopes é eternizado em documentário

Em “Be, was, being -- Yby Soroc”, dirigido por Chores Rodriguez, Pedro Lopes fala sobre suas telas em exposição
Processo criativo eternizado em documentário
Painéis de grandes dimensões, de Pedro Lopes, retratam cronologicamente a história de Sorocaba e seguem em exposição no Macs – Foto: Fábio Rogério

Os painéis que compõem a exposição “Yby Soroc”, do pintor sorocabano Pedro Lopes, em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs), são comentados pelo próprio artista no filme “Be, was, being — Yby Soroc”, que será exibido nesta quarta-feira (29), às 19h30, no Macs (avenida Afonso Vergueiro, 280, ao lado da antiga Estação Ferroviária). A sessão tem entrada gratuita e é aberta a todos os interessados.

Dirigido por Chores Rodriguez, o documentário — com texto escrito e narrado pelo próprio artista — revela o processo de criação das obras e as contextualizam historicamente aos principais acontecimentos e personagens retratados com seu respectivos estilos pictórios, que vão desde o maneirismo até o neoexpressionismo, passando pelo barroco e o cubismo, entre outros.

Primeira exposição individual de Lopes após um hiato de 30 anos, “Yby Soroc”– título tupi que significa “terra rasgada” — reúne 20 painéis de grandes dimensões que retratam cronologicamente a história de Sorocaba, desde mais de um século e meio antes de ser formalmente fundada por Baltasar Fernandes, em 1654, até o início do século 21. O longa, de aproximadamente 1h30 de duração, explora a técnica mise en scène (encenação, em Português) e os depoimentos do artista são ilustrados com as pinturas e também estudos, como esculturas em argila, esboços e croquis que precederam a produção dos painéis gigantes. De acordo com Pedro Lopes, “Be, was, being” (Ser, Foi, Sendo) é uma referência à influência e modernização da língua e da cultura inglesa em Sorocaba.

Didático

Processo criativo eternizado em documentário
Rodriguez: 7 dias de filmagens e 3 meses de edição – Foto: Divulgação

Chores Rodriguez destaca que o longa, produzido de maneira totalmente independente, possui caráter didático, já que oferece ao espectador a possibilidade de enxergar a exposição de maneira mais completa. “O filme não tem a pretensão de ter a mesma dimensão das obras. O objetivo é situar melhor o público que visitou ou pretende visitar a exposição e eternizar a alma, a voz e a memória do seu criador”, afirma. O diretor acrescenta que a ideia é que, em breve, além de exibições públicas, o filme seja distribuído em DVD e exibido para alunos de instituições de ensino da cidade. “O nosso desejo é que o filme seja veiculado nas escolas. Acredito que é uma maneira muito fácil e lúdica de explicar a história da cidade e das artes. Independente da idade e da série que o aluno está, sempre tem um assunto que ele está estudando e que pode ser trabalhado de forma transversal”, complementa.

O filme será reexibido no próximo dia 5 de setembro (quarta-feira), na Fundação de Desenvolvimento Cultural de Sorocaba (Fundec), e em 19 de setembro, no mesmo horário, novamente no Macs, durante a Semana Primavera dos Museus. Ambas as sessões ocorrerão às 19h e a entrada será gratuita.

Chores detalha que já visitava com frequência o ateliê de Lopes, a princípio com intuito de realizar um documentário sobre arte, quando foi convidado pelo artista para dirigir “Be, was, being”. “Ficamos amigos e nesse percurso surgiu a data da exposição. De cara eu topei o desafio de fazer o filme. Foram sete ou oito dias de filmagens, inclusive dormi na casa dele, e depois, quase três meses de edição”, detalha.

Natural de Sorocaba, Chores Rodriguez é formado em Fotografia pela Universidade Paulista de Sorocaba (Unip) e, atualmente, se dedica aos trabalhos fotográficos e cinematográficos. Além de participar de exposições coletivas no Macs e na Galeria Scarpa, em Sorocaba, dirigiu a fotografia de curtas e longas-metragens, como “Utopia” e “Ouvidos Calados”, e o DVD “Tropeada”, da dupla Arlindo Lima e Ramon Vieira. Em 2015, ganhou o prêmio Prof. Flávio Gagliardi de Artes Visuais, na categoria Fotografia.

A exposição “Yby Soroc” foi aberta ao público no Macs em 11 de agosto e pode ser vista até 6 de outubro. A visitação funciona de terça a sexta-feira, das 10h às 17h, e aos sábados e feriados, das 10h às 15h. A entrada é gratuita. Após visitar a mostra, o poeta sorocabano Celso Marangoni produziu um texto, intitulado “Pedro Lopes Cidadão Yby Soroc”, no qual afirma que não é exagero comprar o artista sorocabano a Hieronymus Bosch (1450-1516), Portinari (1903-1962) e Salvador Dali (1904-1989). “Pois embora imóveis na parede, cada tela de Pedro Lopes é como um asteróide em movimento, no incrível universo-paralelo de nós mesmos onde, tanto somos espectadores quanto participantes ativos desse tempo-eternamente-presente”, escreveu.

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