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Saúde e Bem estar

Sorocaba entra no ritmo da vida fitness

Cidade tem ao menos 347 academias ativas, 31 delas abertas no último ano; mercado se divide entre redes de baixo custo e espaços que apostam no atendimento

03 de Novembro de 2026 às 22:04
Camila Santos [email protected]
Mulheres e adultos acima dos 40 anos estão entre 
o novo público das academias do município
Mulheres e adultos acima dos 40 anos estão entre o novo público das academias do município (Crédito: DEPOSITPHOTOS)

A vida fitness deixou de ser nicho em Sorocaba. A cidade tem ao menos 347 academias ativas, segundo dados da Receita Federal de maio de 2026, e 31 delas abriram as portas nos últimos 12 meses. Mais de quatro em cada dez academias em funcionamento hoje foram abertas a partir de 2023.

O movimento acompanha o país. Segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil, o número de academias com CNPJ ativo quase triplicou desde 2015, de 22,5 mil para pouco mais de 60 mil em 2025. O Estado de São Paulo concentra 20.660 academias ativas, e Sorocaba responde por 2% delas.

No mapa da cidade, o Parque Campolim lidera, com 18 academias. Em seguida vêm Vila Hortência, com 11; e Jardim Santa Rosália e Jardim Paulistano, com 10 cada.

Por que o interior

Para quem administra academias, Sorocaba reúne os ingredientes de um mercado em expansão: população grande, economia ativa e cidade em crescimento. "O interior de São Paulo reúne características importantes para o desenvolvimento do mercado fitness, como cidades populosas, atividade econômica relevante, expansão urbana e demanda por serviços ligados à saúde e à qualidade de vida", afirma Gianni Dias Gill, COO da BlueFit, rede de academias que está abrindo sua terceira unidades na cidade.

Bruno Brondane, coordenador técnico da Academia Ápice, aponta o crescimento populacional e o alto IDH de Sorocaba como fatores que atraem novos investidores. Para ele, ainda há muito espaço. "Menos de 10% da população treina em academias, portanto o segmento ainda tem muito a crescer."

Quem está chegando

As mulheres puxam a nova onda. Na Ápice, 60% do público é feminino e a média de idade é de 48 anos. Segundo Brondane, muitos chegam saindo do sedentarismo e, sem experiência prévia, procuram academias com mais professores em sala. "Escolhem academias com um aporte de professores maior, com maior investimento no serviço prestado e não só nos equipamentos", diz.

Na BlueFit, o destaque é o adulto jovem, mas com presença relevante de pessoas mais maduras e participação expressiva de mulheres nas novas matrículas.

Preço ou atendimento

A chegada das grandes redes mudou a disputa. Para Brondane, as academias de baixo custo "praticamente extinguiram as academias de bairro", por cobrar o mesmo preço com estrutura mais planejada e equipamentos mais modernos. Os números da Receita, no entanto, mostram que o pequeno negócio resiste: 84% das academias de Sorocaba são microempresas.

A Ápice aposta em outro público. "Atendemos pessoas com fragilidades, doenças, idosos, gestantes, crianças e pessoas que colocam a saúde em primeiro lugar", diz Brondane. Segundo ele, alunos vindos de redes populares chegam reclamando de superlotação, falta de orientação e medo de se machucar.

Gill reconhece que preço não é tudo. "Localização, horários, equipamentos, variedade de aulas, conservação dos espaços e atendimento também influenciam a escolha. O desafio para as redes é combinar acessibilidade com qualidade e consistência na operação."

O difícil é ficar

Matricular-se é fácil; continuar é o desafio. Segundo Brondane, a evasão anual no setor gira em torno de 40% a 60% dos alunos. Ele atribui a taxa menor na Ápice à qualidade do serviço e ao perfil do público atendido.

Gill vê nos primeiros meses o momento decisivo. "A criação do hábito é um dos principais desafios de quem começa a frequentar uma academia. Quando a atividade física passa a fazer parte da semana, fica mais fácil manter a regularidade."

Depois da pandemia

Os dois entrevistados concordam que a pandemia deixou uma preocupação maior com a saúde. Brondane cita a musculação e as práticas relaxantes como tendências que se repetem ano após ano desde então.

Gill aponta mudanças também na forma de consumir. Os canais digitais ganharam espaço na hora de conhecer planos e se matricular, e os benefícios corporativos que dão acesso a várias academias se popularizaram. "O desafio é transformar a intenção de treinar em consistência", resume.