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Cultura

Canadense Anne Carson vence o Nobel de Literatura

Poeta e ensaísta de 76 anos foi premiada por obra que dialoga com a tradição clássica e cria novas formas para a literatura contemporânea

08 de Outubro de 2026 às 20:36
Camila Santos [email protected]
Anne Carson é autora de obras como
Anne Carson é autora de obras como "Autobiography of Red" e "Norma Jeane Baker of Troy", que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Troia (Crédito: REPRODUÇÃO)

A poeta e ensaísta canadense Anne Carson é a vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026. O anúncio foi feito ontem (8) pela Academia Sueca, em Estocolmo, que destacou sua "obra ousada e inventiva que, em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea".

Nascida em Toronto, Carson tem 76 anos e construiu uma obra marcada pela mistura de gêneros: seus livros transitam entre poesia, ensaio e ficção, frequentemente a partir de temas e narrativas da literatura grega e romana antigas.

Entre seus títulos mais conhecidos estão "Eros the Bittersweet", reflexão sobre o prazer e a dor do desejo na literatura grega antiga; o romance em versos "Autobiography of Red"; "Men in the Off Hours", coletânea de poesia e prosa vencedora do Griffin Prize, no Canadá, em 2001; e "Norma Jeane Baker of Troy", que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Troia.

A autora também se dedicou à tradução de clássicos gregos, trabalhos que, para a Academia Sueca, podem ser considerados obras independentes. Entre eles estão "If Not, Winter", baseado em fragmentos de poemas de Safo, as tragédias "Electra" e "Antigone", de Sófocles, e "Bakkhai", de Eurípides.

"Quase toda a sua produção literária se concentrou na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta por novos significados", afirma Anders Olsson, presidente do comitê de literatura.

Carson lecionou estudos clássicos em diversas universidades da América do Norte e viveu na Islândia, onde ela e o marido, Robert Currie, receberam cidadania em 2022.

No ano passado, o prêmio de Literatura foi concedido ao húngaro László Krasznahorkai, autor de romances surreais que combinam uma visão sombria do mundo com humor mordaz. (Com informações da Associated Press e Estadão Conteúdo)