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Cultura

Sorocabano conquista título nacional na trova

Artista fatura o título de Novo Veterano da UBT e defende maior difusão da poesia entre as novas gerações

16 de Julho de 2026 às 21:32
Camila Santos [email protected]
 Carlos Carvalho Cavalheiro:
Carlos Carvalho Cavalheiro: "A modalidade poderia ganhar mais espaço por meio de oficinas de produção poética para os jovens" (Crédito: RAFAEL ALVES SOBRINHO FILHO)

Em poucos versos, o poeta precisa condensar uma ideia, respeitar métrica, rimas e ainda emocionar o leitor. É esse exercício de precisão que levou o historiador, escritor e poeta sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro a conquistar o título de Novo Veterano da União Brasileira de Trovadores (UBT), distinção concedida aos autores que acumulam um número expressivo de premiações em concursos oficiais promovidos ou apoiados pela entidade. O reconhecimento, anunciado neste mês de julho, coloca o nome do sorocabano entre os principais trovadores do País e evidencia a consistência de sua trajetória literária.

Em entrevista exclusiva ao jornal Cruzeiro do Sul, Cavalheiro afirma que o reconhecimento representa muito mais do que um novo título. É a confirmação de anos dedicados ao aperfeiçoamento de um gênero que exige disciplina, técnica e sensibilidade.

"É o reconhecimento vindo de uma entidade de renome e que mantém viva uma tradição dentro da construção poética que é a trova. Não me envaidece, porém, me dá orgulho em perceber que todo um trabalho teve um resultado positivo."

Apesar de fazer parte da tradição da literatura brasileira, a trova ainda é pouco conhecida por boa parte do público. Sua estrutura é rígida: são quatro versos de sete sílabas poéticas, sem título, com rimas entre o primeiro e o terceiro versos e entre o segundo e o quarto. Justamente por essas regras, o poeta compara o processo de criação ao trabalho de um artesão.

"É como o trabalho de um escultor. Primeiro concebe a obra e, depois, vai lapidando até torná-la, de fato, uma obra de arte", compara. "É um artesanato, uma construção manual que se faz aos poucos, com criatividade e muita transpiração."

Curiosamente, a inspiração nem sempre nasce de experiências pessoais. Grande parte das trovas de Cavalheiro é escrita a partir dos temas propostos nos concursos promovidos pela própria UBT, que ele encara como desafios criativos.

"Uso os concursos como estímulo para exercitar a minha criatividade. Os temas não surgem da minha inspiração própria, mas do que determina os editais", explica.

Se, por um lado, comemora o crescimento do movimento trovadorista, por outro, o escritor acredita que a modalidade ainda pode alcançar um público maior. Para ele, além dos concursos, é preciso investir na formação de novos autores e aproximar a trova das novas gerações.

"A reportagem ajuda na divulgação. Mas seria importante que houvesse uma mobilização maior para difundir a trova. Talvez fosse interessante apresentar essa modalidade de poesia em oficinas de produção poética para as novas gerações", defende.

Com a conquista, Carlos Carvalho Cavalheiro passa a integrar um seleto grupo de trovadores reconhecidos nacionalmente pela regularidade e qualidade de suas produções, levando também o nome de Sorocaba para um dos mais tradicionais gêneros da poesia brasileira.

A trova

A tradição da trova remonta aos trovadores da Idade Média, que percorriam as cortes europeias declamando versos. No Brasil, consolidou-se como um poema de quatro versos, escritos em redondilha maior, com rimas e sentido completo, tornando-se uma das mais tradicionais formas da poesia popular.