Festa Junina
Tradição junina se adapta aos novos tempos
Festejos preservam a essência cultural e substituem práticas perigosas por celebrações acessíveis para toda a comunidade
Se nos deixarmos levar pelas lembranças das festas juninas do passado, é inevitável recordar os balões, pequenos ou grandes, cruzando os céus iluminados. Além da beleza visual, quando suas mechas se apagavam e eles começavam a descer, a correria entre os mais novos para tê-los como troféu da "caçada" agitava os dias de Santo Antônio, São João e São Pedro. Mas há algum tempo tudo isso mudou, com novas regras e condutas.
Atualmente, configura-se crime no Brasil a produção, comercialização e utilização de balões, por apresentarem um grande e incontrolável risco de incêndio florestal e urbano, seja de pequeno, médio ou grande porte.
Demais práticas, como o uso de rojões, bombinhas e fogos de artifício com estampido, também caíram em desuso com o tempo por causarem incômodo a pessoas com necessidades específicas, como idosos, portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA), crianças pequenas e também animais de estimação. Esses ruídos excessivos representam riscos graves à qualidade de vida desse público, podendo causar surdez em cães e gatos, além de gerar crises severas em pessoas com TEA e idosos devido à maior sensibilidade auditiva. O descumprimento das normas vigentes pode resultar em multas pesadas e, em alguns casos, na prisão dos infratores.
A partir desses pontos, o tradicionalismo se reinventa ao longo das décadas, tornando os festejos de junho e julho mais acessíveis e inclusivos. A começar pela popularização dessas festas. Elas eram comumente eram sediadas em propriedades rurais, onde se reuniam vizinhos, conhecidos e familiares para comemorar os dias consagrados aos santos.
Brincadeiras clássicas, hoje considerada perigosas, como o pau de sebo, estão ficando de lado. A fogueira acesa, normalmente erguida em forma de pirâmide, queimava por horas. Quando apenas a brasa faiscava, era hora de pular o braseiro ao som da sanfona, da viola e das cantorias, uma brincadeira tradicional, mas que apresentava grande risco à integridade física de quem a praticava. (Frederico Spindola - Programa de estágio)