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Entrevista

Zamuner faz balanço de trajetória marcada pela valorização da cultura em Sorocaba

Ex-secretário destaca incentivo à arte popular e fortalecimento da economia criativa na cidade

21 de Maio de 2026 às 19:16
Da Redação [email protected]
 Luiz Antonio Zamuner passa a atuar em projetos estratégicos ligados à Secretaria de Governo do município
Luiz Antonio Zamuner passa a atuar em projetos estratégicos ligados à Secretaria de Governo do município (Crédito: FÁBIO ROGÉRIO)

Após cinco anos e meio à frente da Secretaria de Cultura de Sorocaba, Luiz Antonio Zamuner deixou oficialmente o cargo no dia 15 de maio. A pasta passa a ser comandada por Thiago Delmonde Ribeiro, que já atuava interinamente na função. Apesar da saída da secretaria, Zamuner permanece no governo do prefeito Rodrigo Manga (Republicanos), agora ligado a projetos estratégicos junto à Secretaria de Governo.

Em entrevista exclusiva ao jornal ao Cruzeiro do Sul, Zamuner fez um balanço de sua trajetória na cultura, relembrou as origens da ligação pessoal com a arte e detalhou o que considera os principais legados de sua gestão. “Eu sempre fui do diálogo. Sempre recebi todo mundo”, resume.

Cirurgião-dentista de formação, Zamuner contou que o interesse pela cultura surgiu muito antes da vida pública. Apaixonado por cinema, música e jornalismo, ele relembrou a influência de familiares ligados às artes, especialmente do tio-avô, Pio Zamuner, produtor e diretor de fotografia que trabalhou com Amácio Mazzaropi. “Isso sempre me colocou muito próximo da cultura. Quando o Manga me convidou para ser secretário, eu já tinha sido presidente da Fundec e já tinha essa vivência”, afirma.

Ele explicou que sua gestão foi construída sobre quatro pilares: cultura acadêmica, cultura erudita, cultura popular e cultura de massa, priorizando investimentos públicos principalmente nas áreas popular e erudita.

Entre os destaques citados está o fortalecimento da parceria com a Fundec e a presença da Orquestra Sinfônica de Sorocaba em todas as edições do Festival de Inverno de Campos do Jordão durante sua gestão. Na cultura popular, ele destacou ações ligadas ao tropeirismo, à memória ferroviária e à valorização das tradições locais. “Cultura popular gera riqueza. A gente conseguiu mostrar isso”, informa.

Um dos projetos mais celebrados por Zamuner foi a criação de espaços gratuitos para exposições de artistas locais dentro de shoppings da cidade. Sem uso de verba pública, a proposta resultou em mais de 200 exposições. “Colocamos o artista popular de frente para o mercado. Principalmente no pós-pandemia, isso foi muito importante”, diz.

Ao falar sobre eventos de grande porte, Zamuner defendeu o modelo adotado para a Festa Julina de Sorocaba, apontando que o evento se consolidou sem utilização de dinheiro público direto e com retorno financeiro para entidades assistenciais. “A cultura de massa pode acontecer sem investimento público. A festa virou lucrativa para as entidades e acessível para as famílias”, afirma.

Outro ponto abordado foi a valorização do patrimônio histórico. Zamuner revelou que um de seus grandes desejos era transformar o Fórum Velho em uma pinacoteca municipal. “A principal dificuldade é a situação jurídica do imóvel, que ainda pertence ao Estado. Mesmo assim, acredito que o projeto poderá avançar futuramente, especialmente com apoio da iniciativa privada e foco em acessibilidade.”

A defesa da acessibilidade, inclusive, ganhou um significado pessoal durante sua gestão. Zamuner relembrou o período em que enfrentou problemas de mobilidade após uma cirurgia e precisou utilizar cadeira de rodas e muletas. “Eu senti na pele o que é não ter acessibilidade. Isso mudou completamente minha visão sobre os prédios públicos”, conta.

Segundo ele, a experiência trouxe uma preocupação maior com adaptações em espaços culturais e históricos da cidade.

Ao fazer um balanço da passagem pela secretaria, Zamuner afirmou deixar o cargo com sentimento de realização. “Tive o privilégio de ajudar a cidade numa área pela qual tenho o máximo respeito”, declara.

Ele também destacou o crescimento da economia criativa e o fortalecimento da percepção da cultura como setor econômico relevante. “A cultura gera riqueza. Hoje isso está mais enraizado nas pessoas”, diz.

Depois de meia década à frente da Cultura, Zamuner resume a própria despedida de forma simples: “Saio da pasta e levo a cultura no coração”. (Camila Santos)