Ilusão e risos
Dupla de palhaços mágicos conquista destaque nacional
Batatinha Doce e Mingal unem palhaçaria e ilusionismo e garantem 2º lugar em festival na Capital
Os palhaços mágicos Batatinha Doce e Mingal vêm conquistando projeção no cenário artístico ao unir duas linguagens: a palhaçaria e a mágica. A dupla marcou presença, pela primeira vez, no Festival Expo Magic 2026, um dos eventos mais relevantes do ilusionismo no Brasil, reconhecido pela Associação dos Mágicos de São Paulo e responsável por reunir artistas de destaque nacional.
O sorocabano Alessandro Molina, 53 anos, dá vida ao palhaço mágico Batatinha Doce, enquanto o paulistano Marcelo Marcon, 45, interpreta o palhaço mágico Mingal. Amigos e parceiros de cena, eles se encontram na intersecção entre a mágica e a palhaçaria para construir uma linguagem própria e autoral.
Mingal atua há 17 anos, enquanto Batatinha Doce tem uma trajetória de nove anos. Eles se conheceram em 2017 e, desde então, passaram a trabalhar juntos em hospitais. No entanto, foi apenas em 2026 que surgiu a oportunidade — por meio de um convite de Molina — de participarem juntos de um festival, marcando a estreia da dupla em competições.
Motivados pela pesquisa artística e pelo interesse na relação entre o riso e o encantamento, os artistas desenvolveram uma cena inédita que transforma a mágica em elemento narrativo e a comicidade em motor da experiência cênica. O trabalho envolve uma palhaçaria contemporânea que dialoga diretamente com o ilusionismo, na qual a mágica deixa de ser apenas um efeito e passa a integrar a construção dramatúrgica das apresentações.
O estilo adotado pela dupla transita entre o subversivo e o delicado, com foco na construção cômica e na intencionalidade de cada gesto. O trabalho evidencia uma elaboração refinada, que alia precisão técnica à sensibilidade poética, resultando em uma experiência que vai além do entretenimento e provoca reflexão no público.
Como resultado desse processo criativo, a dupla conquistou o segundo lugar na categoria Mágica Geral durante o festival. O evento, realizado em São Paulo, reúne artistas de diversas regiões do país e é considerado um dos principais encontros da área, colocando à prova criatividade, técnica e linguagem artística dos participantes.
Participando pela primeira vez do festival, os artistas já alcançaram uma posição de destaque, o que consideram um marco em suas trajetórias. Para a dupla, a conquista valida o caminho artístico que vêm construindo e reforça a potência de uma linguagem que une diferentes formas de expressão.
“Esse prêmio não é apenas um troféu, mas o reconhecimento de uma linguagem que une o riso ao encantamento e à busca pela excelência”, destaca o palhaço Batatinha Doce. Ainda segundo ele, esse tipo de reconhecimento funciona como combustível para dar continuidade à pesquisa e ao desenvolvimento do trabalho.
Já de acordo com Alessandro Molina, a escolha pela palhaçaria está diretamente ligada à capacidade do riso de criar conexões profundas. “O palhaço não é apenas um personagem, é um estado de presença, vulnerabilidade e verdade”, afirma. Ele também ressalta que, ao longo da trajetória da dupla, a palhaçaria se tornou uma ferramenta de transformação, aproximando pessoas, quebrando barreiras e revelando a essência humana.
A proposta artística da dupla parte da ideia de que o riso pode reorganizar o mundo interno das pessoas. Em suas apresentações, eles buscam abordar temas como identidade, perda, encontro e transformação, indo além do entretenimento e promovendo experiências sensíveis e reflexivas.
Por trás de cada ato, permanece uma pergunta central que guia o trabalho dos artistas: o que ainda nos faz humanos em meio ao caos? (Gabrielle Wilhelm - programa de estágio)