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Ritmos da Ilha

The Firm 16 difunde a cultura musical jamaicana em Sorocaba

Coletivo une pesquisa, discotecagem e atuação social para divulgar ritmos e valores da ilha caribenha

31 de Março de 2026 às 21:00
Vernihu Oswaldo [email protected]
Marcos Fava, Alexandre Freitas e Miguel Ferraz são os três seletores do grupo
Marcos Fava, Alexandre Freitas e Miguel Ferraz são os três seletores do grupo (Crédito: DIVULGAÇÃO)

Criado em 2023, o coletivo cultural The Firm 16 nasceu com a proposta de estudar e difundir a cultura jamaicana, com foco nos diversos estilos musicais desenvolvidos na ilha caribenha. Mais do que organizar eventos ou movimentar a agenda cultural, o coletivo se propõe a criar um território a partir do som — um espaço onde batida, palavra e intenção se encontram para dar forma a algo maior. É nesse ponto de convergência que o The Firm 16 se estabelece.

O reggae, ao lado de ritmos como ska, rocksteady, dub e dancehall, deixa de ser apenas um conjunto de gêneros musicais e passa a funcionar como linguagem, uma ponte entre a cultura jamaicana, a realidade brasileira e os ideais do grupo. Entre esses princípios estão o combate ao racismo e a crença na transformação por meio da música. O repertório explorado traz, em sua maioria, reflexões sobre empatia, amor ao próximo, vivências periféricas, amizade e amadurecimento espiritual.

Se, no início, o projeto ainda estava no campo das ideias, 2024 marcou o momento em que o som ganhou corpo. As discotecagens passaram a ocupar espaços físicos e virtuais, se espalhando como sementes. Há, nesse processo, um cuidado quase ritualístico. Em algumas apresentações, o compromisso é com o vinil: o chiado da agulha, longe de ser ruído, se torna memória viva, carregando em cada faixa não apenas música, mas também tempo e ancestralidade.

Atualmente, o coletivo é formado por cerca de dez integrantes, entre eles os três seletores: Marcos Fava, Alexandre Freitas e Miguel Ferraz. Colecionador de vinil há anos, Marcos destaca a importância do formato analógico em tempos de consumo acelerado. “O vinil é o antídoto para a ansiedade digital. Em um cenário que reduz a arte a frações de segundos, o analógico surge como cura. Colocar a agulha no sulco exige o que o streaming ignora: o tempo”, afirma.

Paralelamente à atuação artística, o grupo também desenvolve ações sociais, promovendo arrecadações de alimentos e roupas destinadas a famílias em situação de vulnerabilidade. Nesse contexto, o som ultrapassa os limites das caixas acústicas e se transforma em cuidado.

O The Firm 16 evidencia uma compreensão essencial: quando alinhada a um propósito, a música não apenas entretém, ela cria, conecta e transforma. É trilha sonora, mas também ferramenta. É celebração, sem deixar de ser formação.

Em tempos marcados pela dispersão, o coletivo propõe presença. Entre batidas e silêncios, constrói um espaço onde dançar também pode ser um ato de consciência, ao som — ainda que marcado pelo chiado — de uma tradição que resiste e se reinventa.