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Música

Mercado fonográfico brasileiro mantém crescimento

Setor fatura R$ 3,9 bilhões em 2025, impulsionado pelo streaming, e alcança a 8ª posição entre os maiores do mundo

27 de Março de 2026 às 22:23
Cruzeiro do Sul [email protected]
Alta é sustentada pelo digital, enquanto vinil volta a crescer e desafios como inteligência artificial e fraudes entram no radar
Alta é sustentada pelo digital, enquanto vinil volta a crescer e desafios como inteligência artificial e fraudes entram no radar (Crédito: PIXABAY)

O mercado fonográfico brasileiro registrou crescimento de 14,1% em 2025, alcançando faturamento de R$ 3,958 bilhões, segundo relatório divulgado pela Pró-Música Brasil. O resultado consolida o país como um dos mercados de música gravada mais dinâmicos do mundo.

Com o desempenho, o Brasil subiu para a 8ª posição no ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), mantendo uma trajetória de evolução nos últimos anos — em 2024, ocupava o 9º lugar e, anteriormente, o 10º.

Este foi o 16º ano consecutivo de crescimento do setor, movimento impulsionado principalmente pela consolidação do mercado digital após a crise provocada pela pirataria no início da década de 2010. Desde então, o avanço do streaming tem sido determinante para a recuperação e expansão da indústria.

As plataformas digitais seguem como principal motor do segmento, respondendo por cerca de 83% das receitas. Em 2025, o faturamento digital somou R$ 3,4 bilhões, com alta de 13,2% em relação ao ano anterior. O desempenho brasileiro, inclusive, supera a média global de crescimento, com destaque para o avanço no número de assinantes.

Apesar da predominância do digital, o mercado físico apresentou crescimento relevante. Mesmo representando menos de 1% do total, as vendas subiram 25,6%, impulsionadas principalmente pelo vinil. O formato, que já foi considerado obsoleto, voltou a ganhar espaço, impulsionado por fatores como nostalgia, colecionismo e estratégias de artistas e gravadoras.

Segundo a Pró-Música Brasil, o cenário positivo reflete não apenas a evolução tecnológica, mas também o investimento contínuo das gravadoras no desenvolvimento de artistas, tanto consolidados quanto novos, ampliando o alcance e a diversidade da produção musical no país.

Por outro lado, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles, está o uso de inteligência artificial no mercado musical, especialmente no que diz respeito à utilização não autorizada de obras para treinamento de sistemas, o que levanta debates sobre direitos autorais e remuneração justa.

Outro ponto de atenção são as fraudes no streaming, com a criação de reproduções artificiais por meio de robôs, prática que pode distorcer a distribuição de receitas entre artistas, compositores e produtores. De acordo com a entidade, mais de 130 sites envolvidos nesse tipo de irregularidade foram retirados do ar nos últimos anos, sendo 60 apenas em 2025.

Criada em 1958, a Pró-Música Brasil — anteriormente Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) — representa as principais gravadoras e produtoras do país e é responsável pela coleta e divulgação de dados do setor, acompanhando a evolução do mercado fonográfico brasileiro ao longo das décadas. (Da Redação, com Agência Brasil)