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Macs abre exposição ‘Rapsódias Amazônicas’ com pinturas de José Roberto Aguilar

Mostra reúne cerca de 30 obras e instalação inspirada na convivência do artista com a Amazônia

08 de Março de 2026 às 06:29
Cruzeiro do Sul [email protected]
Obras dialogam com a vivência do artista na Amazônia
Obras dialogam com a vivência do artista na Amazônia (Crédito: DIVULGAÇÃO)

O Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) abre, no dia 14 de março, às 10h30, a exposição “Rapsódias Amazônicas”, do artista José Roberto Aguilar, com curadoria de Fabio Magalhães. O conjunto reúne cerca de 30 pinturas, entre elas sete telas de grande formato, além da instalação “Guardiões das águas”. A visitação é gratuita e segue até 4 de julho.

Desde 2004, Aguilar divide seu tempo entre São Paulo e Alter do Chão, no Pará, onde mantém residência e ateliê. A convivência com a floresta amazônica e com comunidades ribeirinhas atravessa o conjunto de trabalhos apresentado na exposição. A mostra reúne obras que dialogam com esse percurso, aproximando a experiência do artista na Amazônia de uma trajetória que se estende por mais de seis décadas de atuação no campo das artes visuais.

Nos anos 1960, o físico e crítico Mário Schenberg identificou Aguilar como um dos artistas associados ao movimento da nova figuração no Brasil. Em 1965, o artista passou a utilizar spray e pistola na pintura, introduzindo uma dinâmica direta entre gesto e superfície. O confronto com a tela tornou-se um procedimento recorrente em sua produção. Nessa prática, palavra, texto e imagem aparecem simultaneamente, compondo uma pintura construída como ação contínua.

A produção de Aguilar também se estende à literatura e à música. Na juventude, integrou o grupo Kaos, ao lado de Jorge Mautner e José Agrippino de Paula, experiência que antecede o ambiente cultural associado à Tropicália. Em 1981, lançou o livro “A Divina Comédia Brasileira” e criou a Banda Performática, com Paulo Miklos e Arnaldo Antunes. Essa circulação entre linguagens aparece em sua pintura, que incorpora elementos narrativos e experimentações de ritmo e palavra.

O poeta Haroldo de Campos observou que o rapsodo é aquele que reúne poemas. Ao se referir a Aguilar como um rapsodo de imagens, apontou para um procedimento de montagem e sobreposição presente em sua obra. Essa lógica aparece na forma como o artista articula diferentes camadas visuais e simbólicas.

A escala também marca a trajetória do artista. Em 1991, ao ocupar o subsolo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) com obras de grande formato, apresentou a tela “Hermenêutica”, da série Gigantomaquia, com cerca de 20 metros de altura. Nesse contexto, a dimensão física da pintura passa a integrar a experiência pública da obra.

Em Alter do Chão, às margens do rio Tapajós, a produção de Aguilar passa a dialogar diretamente com o ambiente amazônico. A floresta, os ciclos das águas e a relação entre matéria orgânica e transformação aparecem em sua produção recente. O contato com lideranças locais e saberes tradicionais também amplia o campo simbólico de seu trabalho.

A instalação “Guardiões das águas” integra esse conjunto e estabelece uma relação direta com o espaço expositivo. A obra aproxima pintura e ambiente, incorporando referências ligadas à presença dos rios e às dinâmicas naturais da região amazônica.

A exposição “Rapsódias Amazônicas” reúne telas recentes e trabalhos de grande escala, organizando um recorte da trajetória do artista. A mostra articula memória, deslocamento e permanência, conectando experiências urbanas e vivências na Amazônia em um mesmo conjunto de obras. (Da Redação).

SERVIÇO

Exposição: Rapsódias Amazônicas José Roberto Aguilar
Curadoria: Fabio Magalhães
Período: 14 de março a 4 de julho
Local: Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs)
Endereço: avenida Afonso Vergueiro, 280, Centro, Sorocaba
Visitação: gratuita
Terça a sexta-feira, das 10h às 17h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 15h