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Tradição

Cortejo dos Bonecões diverte e coloca as crianças na folia

"É uma inspiração secular, que vem da tradição dos cortejos de rua e que acontecem muito tradicionalmente no Nordeste"

03 de Março de 2025 às 23:02
Beatriz Falcão [email protected]
Atração do Sesc despertou a curiosidade dos pequenos nesta segunda-feira
Atração do Sesc despertou a curiosidade dos pequenos nesta segunda-feira (Crédito: BEATRIZ FALCÃO)

O Cortejo de Bonecões agitou o terceiro dia de Carnaval no Sesc de Sorocaba, na tarde desta segunda-feira (3). Feitos com papel machê e pelas mãos do artista brincante Paulo Farah, os bonecos, além de alegrar a folia, também foram uma oportunidade de aproximar as crianças da cultura. A manifestação artística resgata tradições e personalidades brasileiras importantes da história.

“É uma inspiração que vem de uma questão secular, isto é, da tradição dos cortejos de rua que acontecem muito tradicionalmente no Nordeste. No interior paulista, algumas cidades também têm a tradição dos bonecões, como na região do Vale do Ribeira, mas nós, aqui em Sorocaba, não”, destaca Nilva Costa da Luz, gerente do Sesc Sorocaba. “Então, é muito legal, uma oportunidade das crianças conhecerem.”

Muito além de interagir com os tradicionais bonecos, os pequenos puderam ter a experiência de serem os bonecões. Durante a folia de Carnaval, eles vestiram as fantasias, que eram quase o triplo ou mais de seus tamanhos. A atividade teve como trilha sonora músicas carnavalescas.

Todos os bonecões foram produzidos durante o ano em oficinas, coordenadas por Paulo Farah, em unidades do Sesc. O projeto, que promove trocas artísticas e culturais com o público infantil, também coloca as crianças no lugar de protagonistas. Portanto, além de figuras públicas, como Paulo Freire, os bonecos também possuem características de seus criadores.

“Paulo sempre traz essa variedade de personagens nos bonecos para que todo o público possa se identificar. E aqui, em particular, as crianças e os adultos podem ser protagonistas com os bonecos, se identificar e brincar à vontade”, explica o capoeirista Rodolfo Rodrigo da Cunha Lima, que trabalha com Farah na Escola Municipal de Iniciação Artística, em São Paulo.

Neste cenário, tudo é pensado para a brincadeira ser mais agradável para os pequenos. Desta forma, além da questão estética, os bonecos são feitos com papel machê e com técnicas para ficarem mais leves, com o objetivo das crianças aguentarem carregar e não se cansarem.

“Essa ideia nasceu de uma estrofe de música, que diz: “eu sou boneco, não sou marionete”. Assim, surgiu a vontade de fazer um Carnaval com o cortejo dos bonecões para o público infantil”, relata a atriz e professora Beth Castro, que também leciona na Escola Municipal de Iniciação Artística.

Para os mais novos, também havia a opção de brincar com as chamadas “burrinhas”, um adereço carnavalesco tradicional que faz referência ao Bumba Meu Boi. Sendo mais leve que os bonecões, as crianças menores conseguiam carregar enquanto pulavam Carnaval. Um exemplo é Angelina Lima, de 3 anos.

“Esse é o primeiro Carnaval dela. No começo ela estranhou um pouco, mas depois que percebeu que havia pessoas por trás dos bonecões, se soltou e até quis uma fantasia”, conta a mãe Carolina Lopes de Lima, de 29 anos. “Além disso, é muito legal. A Angelina está se divertindo muito.”

A diversão não se limita somente às crianças. Enquanto elas brincam, os pais também aproveitam a folia de Carnaval, como é o caso da auxiliar de educação Camila Guidem, de 39 anos. Enquanto seu filho brincava pelo ginásio com os amigos, ela assistia à bagunça e brincadeiras sentada com um sorriso.

“Eu gosto muito dessa festa, da alegria, é muito gostoso. As crianças ficam felizes e nós, pais, também”, relata Camila. “Essa é a primeira vez que venho ao Sesc e achei a proposta muito interessante, até porque em Sorocaba não temos o costume do cortejo dos bonecões. É uma coisa diferente, principalmente para nossos filhos.”