Abra cadabra!
Mágico: um ofício de amor com o público e com a arte
Artistas de Sorocaba contam os desafios e o dia a dia nos palcos e fora deles
O último dia de janeiro é destinado aos mágicos, profissionais que encantam centenas de pessoas, independente da faixa etária. Isso mesmo, hoje é celebrado o Dia do Mágico em todo o mundo. Surgida em homenagem à figura de São João Bosco, considerado o padroeiro dos mágicos na Igreja Católica, a data relembra a relevância e o trabalho que permeia por anos encantando ao público com truques clássicos e também novidades. Em Sorocaba, a Associação dos Mágicos de Sorocaba e Região (AMSR) existe desde 2004 com o propósito de fomentar o interesse da cidade pelas artes mágicas.
Convivendo com a mágica há 19 anos, Celso Gonçalves teve um início parecido com muitos mágicos, a curiosidade. Ao chegar na associação e observar como funciona, ficou completamente apaixonado pela arte. Foi fazendo vários cursos e comprando os aparelhos que auxiliaram para montar um show que servia na época para treino, assim como as apresentações gratuitas que fazia para pegar experiência. Em 2007 fez seu primeiro show, mas apesar do nervosismo, aplausos não faltaram. “Eu não vivo de mágica, tenho outra profissão e faço a mágica por puro hobbie e amor. Entre as maiores conquistas como mágico estão a amizade que fiz com muita gente, sejam elas crianças e adultos”, contou.
O Augusto Torrine também começou na mágica por conta da curiosidade, mas foi o entendimento de que aquilo não seria tão fácil como parece que o deu o ânimo para se dedicar ainda mais. Foi comprando aos poucos os aparelhos e a cada aula, queria que seu professor visse sua garra. “Depois de 40 anos na luta, aprendendo sempre e trabalhando com a mágica, hoje eu vejo o dia 31 como um segundo aniversário, porque ela é tem uma relevância absurda na minha existência”, disse.
Ambos focam mais no público infantil e é deles, que, muitas vezes, vêm os melhores sorrisos. “É contagiante o sorriso de cada criança é compensador porque demonstra a felicidade delas. Muitas vezes só tiveram acesso a alguma mágica atrás de filmes e histórias, então ver o rostinho que elas fazem é encantador e genuíno”, contou Celso
Estudo mais do que necessário
“A internet tem muitas pessoas revelando truques, e fazendo mágica, mas que antes de ser mágico é necessário estudo, porque cada mágica tem uma técnica diferente, não é só ver e vai fazendo, senão corre o risco de ser algo vago.”, explicou Gonçalves.
Com a tecnologia muito pode se pensar que atividades “clássicas” cairiam em desuso. Mas não, a mágica se mantém atualizada, porém sem se esquecer da base, dos truques clássicos que é o que motiva e desperta a curiosidade em comparecer em um show de mágica. “Ela não perderá nunca o valor porque antes de Cristo isso já existia, então ela não perderá para a tecnologia, mas sim caminhar junto a ela”, analisou Torrine.
Mercado em Sorocaba
Diferente de capitais e outros cantos do país, em Sorocaba e região, a associação sente falta de um festival de mágica para fomentar ainda mais o meio. Porém, a associação faz seu papel indo nas escolas para proporcionar, de maneira simples, mas muito impactante, o acesso, principalmente às crianças.
Assim como o setor cultural no geral, os mágicos também tiveram que enfrentar as dificuldades durante a pandemia. “Não tinha mais os shows nas escolas, as aulas na associação, então foi um período bem crítico, mas superamos”, analisou Celso. (Thaís Marcolino)
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