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Patrimônio cultural

Fazenda com símbolos nazistas é tombada no interior de São Paulo

22 de Março de 2022 às 00:01
Cruzeiro do Sul [email protected]
Símbolos nazistas foram encontrados nas propriedades tombadas.
Símbolos nazistas foram encontrados nas propriedades tombadas. (Crédito: ARQUIVO JCS)

A Fazenda Cruzeiro do Sul e a Estação Ferroviária Engenheiro Hemílio, localizadas entre os municípios de Paranapanema (SP) e Campina do Monte Alegre (SP), e que foram notícias após terem sido encontrados símbolos nazistas nos locais, foram tombadas como Patrimônio Histórico e Cultural. A informação é do portal G1 e foi publicada no último domingo (20).

De acordo com o portal, a decisão é de fevereiro, mas foi divulgada na sexta-feira (18) pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), que considerou a fazenda e a estação como a “materialização de pensamentos segregacionistas e preconceituosos vividos pela sociedade brasileira”.

As terras que ficaram famosas, provocaram curiosidades e geraram polêmicas após a descoberta, no final da década de 90, de que suas construções foram feitas com tijolos que estampavam a suástica, em relevo.

Em 9 de novembro de 2008, o jornal Cruzeiro do Sul contou a história da fazenda que pertenceu no início do século passado a Luis Rocha de Miranda, simpatizante do movimento fascista Ação Integralista Brasileira (AIB). A propriedade tinha geradores de energia elétrica, pista de pouso cimentada, uma estação de trens particular e silos aéreos importados dos Estados Unidos. A pesquisa foi feita pelo professor e historiador Sidney Aguiar Filho, de Campinas e as acusações foram negadas pela família.

Segundo pesquisadores, a propriedade foi palco de um esquema escravista nos anos 1930. Os irmãos Rocha Miranda trouxeram 50 meninos de um orfanato do Rio de Janeiro poucos meses depois de Hitler ter tomado o poder na Alemanha, em 1933. Os garotos tiveram os nomes trocados por números e seriam obrigados a aderir a ritos nazistas.

Com o fim da AIB, após a instalação do Estado Novo por Getúlio Vargas, em 1937, as crianças foram libertadas e as marcas do nazismo no local foram suprimidas. Nos anos 1960, a fazenda foi adquirida por um alemão, servindo como local de férias para a família, mas acabou vendida anos depois. Os tijolos com a suástica foram descobertos anos mais tarde durante a demolição de um dos prédios. (Da Redação)

  - Arquivo JCS
(crédito: Arquivo JCS)

Acesse a página publicada em 9/11/2008 em https://url.gratis/x1gyg6 (necessário fazer login)

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