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Cultura

Com tecnologia, ‘Entre’ aborda o corpo e suas relações

Espetáculo usa realidade virtual para abordar interações do ser com o ambiente, o outro e a história

29 de Agosto de 2021 às 00:01
Da Redação [email protected]
Daia Moura retrata o corpo da população preta como uma forma de testemunho.
Daia Moura retrata o corpo da população preta como uma forma de testemunho. (Crédito: DIVULGAÇÃO)

A partir do dia 3 de setembro, quem passar pelo Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (Macs) poderá viver uma experiência singular. Com o auxílio de óculos de realidade virtual (VR), o espetáculo teatral “Entre” une a tecnologia a uma instalação artística interativa para investigar as relações do corpo humano com o ambiente, com a história, com as emoções pessoais e as lembranças.

“O próprio nome sugere várias leituras, desde a relação de afeto entre participantes, até o fato de as abordagens estarem entre diferentes linguagens”, explica o idealizador e diretor do projeto, Robson Catalunha. “É um trabalho que surge para conectar várias vertentes, como cinema, teatro, instalação, realidade virtual e performance.”

Mas para que o movimento entre tantos campos seja conduzido de maneira ordenada, a tecnologia é uma grande aliada. Durante as sessões, serão disponibilizados 15 óculos de realidade virtual. No dispositivo, os espectadores acompanharão as performances artísticas, previamente gravadas com câmeras 360º, que dialogam diretamente com o conteúdo da instalação física.

“O ‘Entre’ tem como um dos principais argumentos essa questão da imersão. Além da pessoa estar fisicamente no ambiente da instalação, a realidade virtual também vai gerar essa sensação de pertencimento corporal do espectador com a obra”, esclarece Andressa Moreira, diretora executiva do projeto. “Acredito que, para muita gente, esse será o primeiro contato com esses dispositivos.”

Com o avanço da vacinação, e a desaceleração do contágio pela Covid-19, foi possível disponibilizar uma instalação artística presencial como complemento ao material gravado. Porém, todos os cuidados foram tomados para que a experiência não ofereça nenhum risco. Como as sessões serão para apenas 15 espectadores, é possível manter um distanciamento seguro para apreciar a exibição.

Corpo humano

Muito além da exploração de novos meios, o espetáculo tem, na sua base, pesquisas que estudam o corpo humano nas mais diversas relações. O trabalho surgiu a partir das investigações pessoais dos artistas envolvidos no projeto. O resultado foram quatro performances com temáticas e abordagens distintas.

Para o ator-performer Hércules Soares, o corpo vem como uma representação física das lembranças e trajetórias do indivíduo. Para compor toda a profundidade do tema, a cena foi gravada dentro de uma piscina abandonada e contou com a participação da mãe, da irmã e do pai do artista.

Artista da Dança Felipe Alduina procura discutir a relação do corpo com os ambientes urbanos. Para ilustrar a proposta, foram gravadas cenas em alguns pontos da cidade de Sorocaba. Na instalação, Felipe grafitará um espaço da cenografia em tempo real, em diálogo com as inscrições de arte urbanas.

Com inspiração na manifestação artístico cultural Nego Fugido, encenação de uma luta de quilombolas em Acupe, distrito de Santo Amaro da Purificação, na Bahia, a atriz-performer Daia Moura enxerga o corpo da população preta como um verdadeiro testemunho.

Para o artista da dança Douglas Emilio, a pesquisa parte do livro “A expressão das emoções no homem e nos animais”, de Charles Darwin, para fazer um micro estudo coreográfico das musculaturas do rosto durante o processo de choro.

A temporada começa no dia 1° de setembro, com a pré-estreia. Para o público, a apresentação estará disponível entre os dias 3 e 29 de setembro. A entrada é gratuita. O Macs fica na avenida Dr. Afonso Vergueiro, 280. O agendamento prévio é através do Sympla: https://www. sympla.com.br/entre__1311805.

O Projeto foi contemplado no edital Proac Expresso promovido pelo Governo do Estado de São Paulo. (Da Redação)