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Criatividade

Publicitário de Sorocaba ganha 5 prêmios em Festival de Cannes

Fábio Barros conquistou três Leões de Bronze e dois Leões de Prata com o projeto 'The Inevitable News'

09 de Julho de 2021 às 14:08
Cruzeiro do Sul [email protected]
Publicitário Fábio Barros, 36 anos.
Barros ganhou prêmios no Festival de Criatividade de Cannes com três projetos. (Crédito: Reprodução Instagram / @fabiobarros 3)

O Festival Internacional de Criatividade de Cannes, realizado em junho, foi ainda mais especial nesta edição de 2021. O publicitário de Sorocaba Fábio Barros, 36 anos, conquistou três Leões de Bronze e dois Leões de Prata com o projeto ‘The Inevitable News’, no último dia 22. Além destes prêmios, a peça entrou na shortlist do festival com sete indicações. Outros dois projetos de Barros, ‘Social Bullets’ e ‘Parkinson’s Card Heroes’, também foram indicados na categoria.

O trabalho ‘The Inevitable News’ foi criado a partir da abordagem praticada pelos jornais dos Estados Unidos da América (EUA) diante do mass shooting, termo que corresponde a tiroteio em massa, em português. Barros conta ter notado que os jornais do país tratavam as mortes por arma de fogo como se fossem inevitáveis, quando, na verdade, as inúmeras vidas perdidas é resultado de uma cultura sangrenta enraizada na sociedade estadunidense.

“Analisamos os principais jornais dos EUA, como The New York Times, The Washington Post, Los Angeles Times, The Seattle Times, entre oute outros exemplares e chegamos a uma conclusão: as notícias sobre mortes por armas de fogo estão banalizadas. O texto tem o mesmo template, só mudam as informações básicas. Pegam a mesma estrutura, mudam o nome, o lugar e pronto. Mais uma notícia de mass shooting”, explica o publicitário.

Um estudo feito em 2018 pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos revelou que a taxa de mortes por arma de fogo havia aumentado pelo terceiro ano consecutivo. Para entender melhor a gravidade da situação, o dado corresponde a 12 mortes por arma de fogo a cada 100 mil óbitos. Este cenário tão violento não ocorria no país há mais de 20 anos.

Inevitable News - Cortesia / Fábio Barros
Inevitable News (crédito: Cortesia / Fábio Barros)

Pensando em encontrar solução para o problema e destacar as falhas recorrentes nas abordagens adotadas pelos jornais dos EUA, Barros e sua equipe iniciaram o projeto ‘The Inevitable News’. A peça usou os projetos gráficos de 15 dos principais jornais do país e substituiu informações básicas das reportagens. O lead — jargão jornalístico usado para se referir ao parágrafo que responde perguntas essenciais para contar a história de maneira curta — ficou em branco e letras vermelhas, simulando traço de caneta, deram lugar as tradicionais fontes serifadas dos exemplares.

O traço irregular preencheu títulos de manchetes com o número de mortos, locais a e as cidades onde ocorreram os massacres. As matérias internas também foram alteradas pelas letras cor de sangue. Estas substituíram o vazio pelos nomes de vítimas e suspeitos, datas de ocorrências, tipos de armas usadas e as supostas motivações que levaram aos crimes.

Os exemplares alterados foram distribuídos por todo país, com objetivo de conscientizar a mídia estadunidense e firmar compromisso para definir novas práticas em relação ao modo que a violência armada é tratada pela imprensa. “O trabalho mostrou essa triste realidade para os jornais. Muitos desses veículos se sensibilizaram e assinaram um documento que visa tratar as vidas como elas verdadeiramente são: únicas. Não podem ser noticiada em uma matéria copiada. É preciso lembrar que essas pessoas têm família, existem histórias por trás”, diz Barros.

O documento citado pelo publicitário é o Gun Violence Coverage Commitment, que convida jornalistas a repensar como a história da violência armada é contada. Para lançá-lo, a Columbia Journalism Review publicou um artigo destacando as falhas de abordagem dos veículos de comunicação para com este tipo de ocorrência. Uma reunião realizada no dia 6 de abril com representantes dos mais importantes jornais dos Estados Unidos resultaram no compromisso. O Gun Violence Coverage Commitment foi publicado no dia 27 do mesmo mês e já alcançou mais de 100 mil pessoas.

Prêmios

Um mix de emoções. É assim que Fábio Barros define a sensação de levar cinco leões e ser indicado 18 vezes na shortlist do Cannes Lions. “Trabalhei anos para conseguir um prêmio desses e, de repente, vem cinco de uma vez. Acordei e vi que tinha sido indicado 13 vezes na shortlist. Depois de um tempo, as indicações aumentaram e veio o primeiro leão, pensei: ‘okay, vai parar aí’. Até que veio o segundo, terceiro, quarto, quinto… Foi um sonho profissional realizado. Fiquei muito emocionado!”, conta.

Com 'The The Inevitable News', o publicitário levou dois Leões de Prata, nas categorias Print & Publishing e PR, e três Leões de Bronze, em Design; Direct e Health & Wellness. A peça entrou 18 vezes na shortlist nas modalidades Print & Publishing (duas vezes); Design; Direct e Health & Wellness (três vezes). Outros dois trabalhos de Barros também foram indicados na lista. 'Social Bullets' ganhou em Health & Wellness; Creative Data e Digital Craft (três vezes). Já o ‘Parkinson's Card Heroes’ levou em Pharma. Os projetos do publicitário podem ser acompanhados pelo site www.fabiobarros.co.

Inevitable News - Cortesia / Fábio Barros
Inevitable News (crédito: Cortesia / Fábio Barros)

Vila Barcelona

Destaque no Festival de Criatividade de Cannes, Fábio Barros cresceu na Vila Barcelona. Ele fez curso técnico em informática no Colégio Politécnico quando ainda era adolescente e teve uma breve passagem no jornal Cruzeiro do Sul, como estagiário. Se formou em Publicidade e Propaganda em 2006, na Esamc (Athon) e trabalhou em diversas agências de publicidade de Sorocaba. Em 2019, se mudou para Nova Iorque (EUA) a trabalho.

Ele já teve passagens por grandes agências do mundo como, WMcCaNN (Brasil) , Ogilvy (Catar), Publicis, Grey, Wunderman Thompson e MCSaatchi (Dubai) até chegar a Area23, onde está atualmente. A agência para qual trabalha atende contas como AstraZeneca, Bayer, GSK, entre outras gigantes do mercado farmacêutico, sagrou-se a agência Farma do ano.

“Tenho muito orgulho de onde eu vim: Vila Barcelona. Vim da periferia, de família pobre, não sabia nem falar inglês. Assistias os cases do Cannes Lions na faculdade e sonhava em levar os prêmios”, finaliza Barros, orgulhoso.

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