Cultura

‘ Mary Poppins’ é a principal novidade nos cinemas de Sorocaba

Filme é a continuação do clássico de 1964; a história se passa cerca de 20 anos depois
‘Mary Poppins’ estreia nos cinemas
Mary Poppins, que não envelheceu nada, tem a desafiadora missão de prosseguir com o papel de babá. Crédito da foto: Divulgação

Continuação do clássico de 1964, “O retorno de Mary Poppins” é a principal novidade que chega nesta quinta-feira (20) às salas de cinema de Sorocaba. A história se passa cerca de 20 anos após o filme original, quando a Inglaterra está mergulhada na Grande Depressão. As crianças do filme original agora são os adultos Jane (Emily Mortimer) e Michael (Ben Whishaw), que é pai de três crianças um tanto negligenciadas desde a morte de sua mãe. Aí entra Mary Poppins, que não envelheceu nada. Emily Blunt tem a desafiadora missão de prosseguir com o papel que eternizou Julie Andrews em imagens como a da babá flutuando com seu guarda-chuva, marcadas no cérebro dos fãs.

Diretor da sequência, que tem quatro indicações ao Globo de Ouro, Rob Marshall (“Chicago” e “Caminhos da Floresta”) resume em uma palavra sua abordagem: “respeito”. “Primeiro de tudo, jamais faria uma refilmagem”, afirmou. “Não ousaria tocar no filme original. Então, tínhamos de encontrar outra forma de contar a história.”, diz.

A solução que ele, seu parceiro e coreógrafo John DeLuca, e David Magee, autor do roteiro, acharam foi mergulhar nos outros sete livros escritos por P.L. Travers, a arredia autora que foi tema do filme “Walt nos bastidores de Mary Poppins”. “No fim, disse ‘sim’ também porque não queria correr o risco de outra pessoa dirigir e desrespeitar o filme que amo tanto”, acrescenta.

Por essa razão, nenhuma das músicas originais faz parte da continuação, que tem canções novinhas compostas por Marc Shaiman e Scott Wittman.

O diretor Rob Marshall conta que sempre sonhou em fazer um musical original, e “O retorno de Mary Poppins” era a ocasião perfeita. Marshall seguiu os mesmos princípios ao procurar o visual do filme. “Queria que fosse clássico, mas não datado”, disse. Ele criou, por exemplo, sua própria versão da sequência de animação em 2D, trazendo artistas da aposentadoria para poder fazê-la. “Esta cena faz parte do DNA de Mary Poppins, não podia deixá-la de fora”.

Os movimentos de câmera, no entanto, são mais modernos e há até algum uso de drones, algo que, acredita, Walt Disney aprovaria. “Ele sempre tirava vantagem das novidades, das novas tecnologias. Então, usamos, mas mantemos as raízes clássicas do original”, defende. As novas tecnologias também ajudam a compor os cenários, mais realistas e que retratam um período sombrio da história dos Estados Unidos.

Em vez do limpador de chaminés Bert (Dick Van Dyke), a nova versão tem um acendedor de lampiões Jack, vivido por Lin-Manuel Miranda, ator e autor de “Hamilton”, um fenômeno recentente da Broadway . “Ele é perfeito para o papel, porque tem uma pureza e um otimismo contagiantes”, diz Emily Blunt.

Aos 91 anos de idade, Van Dyke, faz uma aparição especial que promete emocionar os fãs do longa original. Para todos os envolvidos, “O retorno de Mary Poppins” não poderia chegar numa hora mais propícia. “Estávamos desesperados para fazer algo assim, uma fantasia esperançosa e emocionante, para equilibrar com esse mundo em que vivemos”, afirmou Marshall.

Filme de arte

‘Mary Poppins’ estreia nos cinemas
Outra opção é o drama alemão “Os invisíveis”, em cartaz apenas no Sorocaba 7. Crédito da foto: Divulgação

Outra opção que chega hoje a Sorocaba é o docudrama alemão “Os invisíveis”, em cartaz apenas no Cineplay Sorocaba 7, do Sorocaba Shopping, sala dedicada à exibição de filmes de arte. Dirigido por Claus Räfle, o filme conta a história de judeus que, apesar das leis raciais e da caçada dos nazistas, assumiram o desafio de permanecer na Alemanha. Para isso, muitos deles precisam se tornar praticamente invisíveis, necessitando de uma rede de apoio e solidariedade para obter documentos, locais onde ficar, ou se esconder.

O longa acompanha a jovem órfã Hanni Lévy, o habilidoso falsificador Cioma Schönhaus; o apaixonado adolescente Eugen Friede; e Ruth Arndt (Ruby O. Fee), que perde o contato com a família passando-se por viúva e trabalhando para um oficial alemão.

Para realizar o longa, Räfle entrevistou dezenas de desses judeus que sobreviveram, escolheu os depoimentos e reconstituiu a história de quatro deles, mesclando documentário, ficção e imagens de arquivo. Além do filme, cujo roteiro teve colaboração de Alejandra López, as entrevistas deram origem a um livro publicado por Räfle ano passado, mas ainda sem previsão de lançamento no Brasil. No elenco, os mais conhecidos são os atores Florian Lukas, o Eugen, dos filmes “Adeus, Lenin” e “Grande Hotel Budapeste” e Max Mauff, o Cioma, em “Victoria” e “A onda”. “‘Os invisíveis’ emociona. É bem feito e interpretado”, destaca Luiz Carlos Merten, crítico do jornal O Estado de S.Paulo.

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