Cultura

‘Hileia’ apresenta olhar de Saggese sobre a Amazônia

Imagens do premiado fotógrafo podem ser vista na Pinacoteca de Sorocaba
‘Hileia’ apresenta olhar de Saggese sobre a Amazônia
As fotos foram feitas com uma câmera digital convertida para a captação de luz infravermelha, com matizes que os olhos humanos não são capazes de ver. Crédito da foto: Antonio Saggese / Exposição “Hileia”.

“Em todas as coisas da natureza há algo do maravilhoso”. A frase atribuída a Aristóteles é traduzida em imagens com olhar pictório na exposição “Hileia”, do veterano e premiado fotógrafo paulistano Antonio Saggese, de 69 anos, que foi aberta ontem na Pinacoteca de Sorocaba.

Realizada em parceria com a Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria da Cultura (Secult), a mostra foi selecionada pelo edital de Exposições Itinerantes da ACAM Portinari, em parceria com o Sistema Estadual de Museus (SISEM-SP), instância da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, e passou recentemente por Campinas e Piracicaba.

“Fico contente [com a intinerância] porque a gente faz o trabalho para ser visto. A possibilidade de chegar a outro público, principalmente o não especializado, além do chamado ‘curto circuito’ — de aficionados e colecionadores — me deixou muito contente. O que a gente quer é que o nosso trabalho seja comentado, que levante discussões”, comenta o fotógrafo ao Mais Cruzeiro.

Aliás, o nome da exposição, “Hileia”, se apropria da denominação dada pelo naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) à imensa floresta equatorial amazônica “e vem do grego, que significa mata que pode ser desfrutada sem ser destruída”, detalha Saggese, destacando que, involuntariamente, a exposição levanta reflexões sobre a floresta amazônica justamente no momento em que o bioma daquela região se mostra ameaçado por incêndios de grandes proporções. “Que esta exposição seja mais uma fala pela preservação da floresta”, defende.

Tecnologia digital

Na mostra, que reúne 55 imagens com curadoria de Fabrício Reiner, mata e os rios da ilha de Marajó e de Belém, no Pará, ficam quase irreconhecíveis com o olhar pictório do artista.

É que as paisagens ribeirinhas foram feitas em igarapés e igapós em suas viagens ao Pará, entre 2014 e 2016, com uma moderna câmera digital convertida para a captação de luz infravermelha, com matizes que os olhos humanos não são capazes de ver, e que paradoxalmente criam estética semelhante à calcogravura (gravura de metal) feita a partir de desenhos de bico de pena comumente feitos por exploradores de expedições do século 19.

“Interessante que a fotografia digital permite o resgate de outras tradições estéticas que não são contemporâneas. A gente pode se apropiar de outros modos de fazer imagem”, comenta.

O resultado dessa pesquisa estética e tecnológica deu origem à exposição “Hileia”, também publicada em livro pela editora Estúdio Madalena, e que foi vencedora do Prêmio Brasil de Fotografia na categoria Ensaio Impresso de 2017.

Antonio Saggese é graduado em Arquitetura e Mestre e Doutor em Filosofia e se dedica à fotografia desde 1969, além de ser docente em cursos de graduação e pós-graduação.

O artista comenta que, nos últimos anos, tem intensificado a sua produção fotográfica baseada em paisagens da natureza, o que teve início em “Pitoresco”, que em 2010 ficou em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo.

A primeira paixão foi a Mata Atlântica, a qual conheceu e produziu muito material depois adquirir uma casa em Ubatuba, no litoral paulista, cujo acesso, pela estrada de Taubaté, segundo ele, é recheado de paisagens de mata nativa que por si só já valem a viagem.

“Essa familiaridade me fez procurar outros biomas. Fiz série de trabalhos no Cerrado e criei coragem para ir para a Amazônia, mas a minha itinerância por lá é pequena. Ainda quero voltar e fazer mais coisa”, complementa.

A exposição permanece em cartaz até 9 de fevereiro de 2020 e pode ser vista gratuitamente de terça a sexta-feira, das 9h às 16h, e aos sábados, domingos e feriados, das 12h às 16h. A Pinacoteca fica na avenida Afonso Vergueiro, 280, no Centro. (Felipe Shikama)

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