Cultura

Exposição resgata tradição culinária dos imigrantes

“Migrações à mesa” abre nesta sexta-feira (17), no Museu Histórico Sorocabano, e retoma proposta de mostras temáticas
Utensílios que foram trazidos pelos imigrantes são parte importante da mostra, que também destaca receitas tradicionais de família. Crédito da foto: Thamara Malfatti / Divulgação

Utensílios de cozinha trazidos por famílias de imigrantes que vieram morar em Sorocaba e ajudaram a dar sabor à história e o tempero para o desenvolvimento da cidade compõem a exposição “Migrações à mesa”, que será aberta hoje no Museu Histórico Sorocabano (MHS), anexo ao Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros (rua Teodoro Kaisel, 883, Vila Hortência). A mostra poderá ser visitada de terça a sexta-feira, das 9h às 16h30, e sábados, domingos e feriados, das 11h às 16h. O ingresso, que dá acesso ao parque e ao museu, custa R$ 8 (inteira), R$ 4 (meia-entrada para estudantes). Crianças de até 5 anos de idade, idosos acima de 60 e pessoas com deficiência não pagam.

A exposição integra a programação especial de aniversário de 364 anos de Sorocaba, celebrado no último dia 15, e é realizada pela Prefeitura de Sorocaba, por meio da Secretaria de Cultura e turismo de Sorocaba (Secultur) em parceria com o Sistema Estadual de Museus e o Museu da Imigração de São Paulo. Sorocaba inaugura a itinerância da mostra concebida originalmente para o Museu da Imigração de São Paulo, onde ficou em cartaz entre novembro e dezembro de 2017.

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Instalada em duas salas do museu, a mostra fica em cartaz até 30 de novembro, e retoma a proposta de exposições temáticas temporárias que começaram a ser realizadas com frequência há aproximadamente quatro anos. A ideia é que, paralelamente à exposição de longa duração — com peças do próprio acervo distribuídas nas outras salas do museu — outros recortes curatoriais convidem o público a revisitar o museu com mais frequência.

Peças e painéis

“Migrações à mesa” reúne cerca de dez peças, como garrafa de chá japonesa, xícaras de porcelana japonesas, moedor de café espanhol, entre outros. Além dos utensílios, a exposição conta com 21 painéis informativos, com textos baseados em cadernos de receitas de famílias que, passados de geração para geração, funcionam como uma valiosa fonte histórica, rica em conteúdos que dificilmente estariam disponíveis em documentos oficiais. Esses cadernos foram emprestados pela população paulista por meio de um chamamento público e, por meio deles, é possível acessar o passado das famílias de imigrantes de diferentes nacionalidades, descobrindo seus hábitos alimentares, tradições, utensílios da época entre outras informações.

Dentre os mais diversos cadernos de receitas recebidos, foram selecionados dez mais representativos para compor um dos módulos da exposição. As famílias participantes ainda foram convidadas também para narrar a história do objeto e ajudaram a pensar questões relacionadas ao discurso retratado na exposição.

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Além do material cedido pelo Museu da Imigração, a mostra de Sorocaba é incrementada com utensílios de seu acervo permanente e cedidos por associações locais que buscam resgatar a memória de imigrantes, em especial a da Casa de España, que é apoiadora da mostra. Ao longo de 364 anos, Sorocaba recebeu imigrantes de diversas nacionalidades, como espanhóis, italianos, japoneses, entre outras etnias, que colaboraram para o desenvolvimento da “Terra Rasgada”. Os espanhóis, por exemplo, começaram a chegar na cidade por volta de 1885. A primeira presença documentada é de Antônio Rodrigues, que trabalhou na fazenda do Coronel José Prestes de Barros, onde, atualmente, está situado o próprio Museu Histórico Sorocabano.

De acordo com Daniella Gomes Moreira, museóloga da Secultur, “Migrações à mesa” propõe um diálogo entre o acervo do MHS e a comunidade local, a fim de proporcionar ao visitante a experiência de conhecer, por meio desses utensílios da culinária, a história de povos que chegaram à cidade e a ajudaram a desenvolver. “Essa exposição nasceu a partir dos cadernos de receita de família que passam de gerações em gerações. Então, é uma exposição que remete muito à memória afetiva das pessoas. Com certeza elas vão se lembrar das coisas, das comidas, dos avós. E é bacana ver como essas tradições [da culinária estrangeira] foram se incorporando às nossas e criando uma identidade cultural muito forte no Estado de São Paulo”, diz.

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