Cultura

Espetáculo trata sobre questões ambientais

“Mátria Amada” começa amanhã com intervenções artísticas e culturais para refletir acerca dos cuidados necessários com o meio ambiente
Espetáculo trata sobre questões ambientais
A cantora e compositora Alzira E está entre as atrações de amanhã. Crédito da foto: Divulgação

A pandemia de Covid-19 tornou mais evidente nossa fragilidade, do nosso sistema econômico e social diante de eventos fora dos parâmetros, como a crise sanitária atual. Até então alheia — em grande parte — a questões climáticas e ambientais, a sociedade passou a enxergar a urgência da ampliação do debate sobre o tema, sob pena de se tornar ainda mais vulnerável diante dos impactos desse desinteresse. Nessa perspectiva, o Grupo Manuí, de Sorocaba, — formado pela atriz Tatiana Zalla e pelo músico Leandro Pfeifer — realiza, a partir de março, o “Festival Mátria Amada — Cultura e os Cuidados com a Terra”. O evento on-line reunirá músicos, escritores, artistas, atores, lideranças indígenas e quilombolas para promover reflexões acerca dos cuidados com o meio ambiente e preservação dos ecossistemas através de intervenções artísticas e espetáculos culturais.

As apresentações começam amanhã. Ao todo serão realizadas quatro lives gratuitas, transmitidas pelo canal do Grupo Manuí no YouTube (youtube.com/manuiproducoes), nos dias 21/3, 28/3, 4/4 e 11/4, a partir das 17h, apresentadas pela atriz Tatiana Zalla e pelo músico Leandro Pfeifer, com bate-papos e apresentações de artistas que têm trabalhos voltados à temática ambiental, da cultura da terra, dos povos originários e quilombolas. A programação está disponível na página do Facebook do grupo @grupomanui.

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A programação fará o intercâmbio entre Brasil e Portugal logo no primeiro dia do evento, com a participação da companhia portuguesa Teatro Estúdio Fontenova encerrando a noite com a apresentação da performance “Cerco”, que aborda a relação dos direitos da terra aos direitos ao corpo, em particular da mulher, partindo do conceito de “cercamento”. O Teatro Estúdio Fontenova foi fundado em 1986 com o objetivo de trabalhar na ação e divulgação cultural. Profissionalizou-se em 2004 e conta com mais de 70 criações teatrais e de 22 edições do Festival Internacional de Teatro de Setúbal “Festa do Teatro”, que teve o Grupo Manuí como uma das atrações em 2019.

Espetáculo trata sobre questões ambientais
Compositor e escritor, Cristino Wapichana é autor do livro “A Boca da Noite”. Crédito da foto: Divulgação

Entre os participantes brasileiros, alguns destaques são a compositora, cantora e instrumentista Alzira E, irmã da cantora Tetê Espíndola e parceira de nomes como Itamar Assumpção, Alice Ruiz, Tiganá Santana, Jerry Espíndola e Lucina. Suas composições já foram gravadas por nomes como Ney Matogrosso, Zélia Duncan, Virgínia Rodrigues, Simone, Maria Alcina, Fabiana Cozza, entre outros; o músico, compositor e escritor Cristino Wapichana, que teve seu livro “A Boca da Noite” premiado com a Estrela de Prata do Prêmio Peter Pan, do International Board on Books for Young People, da Suécia, e ficou em terceiro lugar na categoria livro infantil do Prêmio Jabuti 2017; as lideranças indígenas Cristine Takua, Carlos Papa e Jera Guarani; o ambientalista Gabriel Bittencourt e muitos outros.

O festival

A ideia do festival — que está sendo realizado com apoio do edital expresso Proac Lab, do Estado de São Paulo, com recursos da Lei de Auxílio Emergencial “Aldir Blanc” – surgiu em 2019, do encontro entre os diretores do Grupo Manuí com o ambientalistas. “Sentíamos um incômodo em observar tantas atrocidades relacionadas ao meio ambiente e a necessidade de fazer algo. Daí nasceu o movimento Mátria Amada, inicialmente com uma passeata pela Terra, na cidade de Sorocaba, onde vivemos, e depois, em 2020, com o primeiro encontro, realizado pela internet por conta da pandemia”, explica a atriz Tatiana Zalla. Em 2021, com o incentivo da Lei Aldir Blanc, veio a oportunidade de ampliar o movimento e, com o “Festival Mátria Amada”, dar voz a mais artistas, mais lideranças, mais ativistas que dialogam com as questões ambientais, amplificando assim o debate.

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Criado em 2002, e sediado em Sorocaba desde 2016, o Grupo Manuí tem o propósito de ser ponte entre a sabedoria presente nas histórias dos povos originários e o momento atual, por meio de manifestações artísticas como o teatro, histórias e a música. Além do “Festival Mátria Amada”, o Manuí realiza os projetos “Nhanderuvuçú, o menino trovão”, “Nhemonguatá”, “Ecos da Paulistânia” e “Encantoria”, entre outros trabalhos. (Da Redação)

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