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Em 14 anos, mercado editorial encolhe 20%

09 de Julho de 2020 às 22:11

Em 14 anos, mercado editorial encolhe 20% Antes da pandemia, o mercado estava apresentando leve recuperação. Crédito da foto: Divulgação

Quando os resultados da Pesquisa Produção e Venda do Setor Editorial foram revelados no início de junho, uma surpresa: depois de anos de recessão, o mercado apresentava, enfim, números positivos e fechava 2019 com um crescimento real de 6,1%.

Esse crescimento, porém, não foi suficiente para melhorar significativamente a série histórica da pesquisa, feita, a partir deste ano, pela Nielsen Book para a Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional de Editores de Livros. Somando os dados de 2019 aos dos anos anteriores, o mercado editorial encolheu 20% desde 2006 -- com a crise se acentuando depois de 2015. A queda, até o ano passado, era de 25%.

Os organizadores desmembraram os dados em dois períodos (2006-2014 e 2014-2019), e sua análise confirma que as coisas começaram a sair dos trilhos logo após o fenômeno do livro de colorir, que não foi substituído por nenhuma outra tendência, e na esteira da crise macroeconômica.

“Essa pesquisa é muito importante para o setor editorial porque nos ajuda e avaliar períodos mais longos e nos dá base para futuros investimentos e estratégias. Quando pegamos esse dado histórico, percebemos que quando o País está bem economicamente, com um bom nível de emprego, e a população está com uma renda per capta melhor, os números ficam acima da nossa expectativa”, diz Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro.

Nesse período, o subsetor de livros Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) tem sido o mais afetado. Ele perdeu 41% nas vendas ao mercado nos últimos 14 anos. Houve um bom momento, até 2014, quando o faturamento do setor foi impulsionado pelos investimentos no ensino superior, crescendo 17%. Depois disso, por causa da desaceleração do investimento em educação e das mudanças tecnológicas, a queda foi de 50%.

O único subsetor que registrou algum crescimento - de apenas 2% -- nessa quase uma década e meia foi o de livros religiosos, quando consideradas as vendas para o mercado. (Estadão Conteúdo)