Cultura

Carnaval está de volta ao Recreativo Campestre

Clube decidiu realizar novamente os bailes, que foram animação dos sorocabanos por muitos anos
Salão lotado, decoração caprichada e muita animação sempre foram as características dos bailes do Recreativo Campestre. Crédito da foto: Arquivo / Jornal Cruzeiro do Sul

 

Quem é sorocabano “da gema” lembra com saudade dos tradicionais bailes carnavalescos na sede campestre do Clube União Recreativo, que costumavam lotar. Antigamente, o clube era muito bem decorado para a ocasião e as pessoas iam fantasiadas, com seus blocos, para curtir as marchinhas. Não faltavam confetes, serpentinas e, claro, os trenzinhos que se formavam pelo meio do salão. No final da década de 1990, já com a onda do axé, que dominou os carnavais, muita coisa mudou e por fim diversos clubes deixaram de fazer bailes, entre eles o Recreativo.

Acabaram não restando muitas opções para se divertir durante o período na cidade. E foi pensando em voltar a oferecer o espaço para o sorocabano curtir o Carnaval que Israel Divino Ramalho, presidente do Recreativo, anuncia a retomada dos bailes. As datas já estão confirmadas: 22 (sábado) e 24 de fevereiro (segunda), das 23h às 4h. Já no dia 23, um domingo, terá matinê, das 15h às 18h.

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Crédito da foto: Arquivo / Jornal Cruzeiro do Sul

Apesar das expectativas, que já tomaram conta de algumas pessoas que souberam desse anúncio, a retomada do Carnaval não será como no passado — nem teria como, afinal os tempos são outros. “Decidimos que é o momento de retomarmos. Faremos nos modos de hoje, mas usando o conhecimento antigo”, disse Israel.

Mesmo assim, haverá incentivo para as pessoas voltarem a se fantasiar. Em todos os dias de baile, seja para os adultos ou na matinê, destinada à crianças, haverá concurso de fantasias, com premiações em troféu e medalhas.

O presidente do clube antecipa que o baile será comandado pela banda Única, de São Paulo, que tem em seu currículo a realização desse tipo de evento em vários clubes paulistas. “Estamos convidando todas as escolas de samba de Sorocaba para participarem. Elas terão espaço para entrar no salão com a bateria e fazerem apresentação das fantasias”, afirma, acrescentando que ainda estão sendo realizadas conversas com as agremiações. “Algumas já assumiram compromisso de se apresentar em cidades da região, então estamos vendo”, disse.
Os ingressos estarão à venda a R$ 20 para os bailes noturnos e R$ 10 para matinê (apenas os adultos pagam).

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Os blocos se organizavam e caprichavam nas fantasias, em busca do troféu. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Troféu e tradição

Para se ter ideia de como o Recreativo lotava, as pessoas tinham de se organizar bem antes para reservar mesas. A secretária Shirley Foramiglio Martins, 53 anos, lembra com saudade da época. Shirley conta que participava de blocos carnavalescos, com uns dez integrantes, em que todos iam fantasiados e sua tarefa era confeccionar as roupas. “Fazíamos quatro fantasias, para ir cada dia com uma. Deixávamos a melhor delas para vestir no último dia, que era o do concurso, para concorrer ao troféu”, recorda. E ganharam, vários.

O clube Recreativo, diz Shirley, era inteiro caracterizado. “Ficava tudo enfeitado. Não deixavam nem mesmo um pilar à mostra. Além disso, tinha três bandas, uma do lado de fora logo na entrada, outra dentro e mais uma do lado externo, do outro lado.”

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Shirley Martins. Crédito da foto: Arquivo Pessoal

Ela afirma que se considera uma pessoa privilegiada por ainda ter vivido um pouco dos tempos áureos do Carnaval, mas fica chateada ao lembrar que presenciou o fim gradual do que ainda era uma festa mais inocente. Shirley atribui ao axé a responsabilidade pela extinção do Carnaval paulista e lembra de uma vez que chegou a levar CD de marchinhas para a praia numa época de Carnaval e pediu para tocar em um quiosque. “Não demorou muito e as pessoas mandaram tirar. Não gostavam mais de marchinhas.”

A secretária acredita que sua geração foi praticamente a última a aproveitar o Carnaval tradicional. “Depois, as pessoas já entraram no estilo do axé, que mais era à vontade, passaram a ir de short, camiseta e chinelo no clube, e aos poucos os salões deixaram de lado a decoração”, lamenta. (Daniela Jacinto)

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