Cultura

Capoeira tem conquistado meninas e meninos

É apenas uma única atividade, mas por meio dessa prática as pessoas aprendem a cantar, tocar instrumentos, dançar, lutar… Tudo isso? Sim! Estamos falando da capoeira. Essa prática, que une arte marcial, esporte, cultura popular e música, tem conquistado meninas e meninos de diversas faixas etárias, que estão se deslocando de vários bairros — e até de outra cidade — para o Parque dos Espanhóis, onde podem participar das aulas, gratuitas, oferecidas pelo contramestre Adilson Bettini Moraes, da Associação Mundo Inteiro.

Rafaelle: 'Estou me esforçando' - ERICK PINHEIRO Rafaelle: ‘Estou me esforçando’ – ERICK PINHEIRO

Atraídas pela oportunidade, as crianças estão entusiasmadas com as aulas. “Queria agradecer o professor por me deixar vir e gastar o tempo dele com a gente”, diz Rafaelle Beatriz Lázaro de Oliveira, 10 anos. Ela afirma que ainda não sabe muita coisa, pois faz um mês que iniciou o curso. “Estou me esforçando para aprender”, disse. “Mas já toco reco-reco e agogô. Agora estou com o berimbau, só que gosto mais da parte da luta”, confessa.

Lorena: 'Já sei o básico' - ERICK PINHEIRO Lorena: ‘Já sei o básico’ – ERICK PINHEIRO

Lorena Antônia da Silva Tobias, 7 anos, acabou de fazer a inscrição e deve ter sua primeira aula nesta semana. “Tenho vontade de aprender, acho bonito ver os outros fazendo”, disse. Ela conheceu a capoeira em sua escola, onde teve algumas aulas antes das férias, e se interessou. “Aprendi golpes como o martelo e meia-lua (chutes). Já sei o básico para me defender.” O desafio atual é fazer estrela e treinar parada de mãos.

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Todas as crianças deveriam experimentar

Raul já sabe tocar os instrumentos - ERICK PINHEIRO Raul já sabe tocar os instrumentos – ERICK PINHEIRO

Ele não tinha nada para fazer em casa, ficava na rua, então a mãe falou para ir na capoeira. Foi assim que Raul Gustavo Castro da Costa, 10 anos, começou as aulas com o contramestre Adilson. E desde então aprendeu muito, mas muito mesmo! Raul já sabe tocar todos os instrumentos e diz que gosta mais do atabaque. Sobre a luta, ele confessa que no início achou um pouco difícil. “Depois, consegui me dedicar e pegar os movimentos”, afirma, acrescentando que gosta muito da capoeira e por isso acha que todas as crianças deveriam experimentar.

João: 'Me sinto poderoso' - ERICK PINHEIRO João: ‘Me sinto poderoso’ – ERICK PINHEIRO

Quando a palavra é luta, João Pedro França Biussi, 8 anos, vibra. “Me sinto poderoso quando estou lutando porque sei me defender”, afirma. O menino está esperançoso em aprender muito com o curso que está começando a fazer.

A capoeira deixa Nicolas mais alegre - ERICK PINHEIRO A capoeira deixa Nicolas mais alegre – ERICK PINHEIRO

Nicolas Caio Belchior de Moraes, 10 anos, conta que já nasceu com a capoeira no sangue. “Antes do meu nascimento meu pai era capoeirista, então me inspirei nele, que me falou sobre tudo o que fazia e que eu deveria começar também”, afirma, acrescentando que iniciou na capoeira “quando tinha mais ou menos 5 anos”, em Votorantim. Sobre os instrumentos, Nicolas gosta muito de tocar berimbau. A capoeira o deixa mais alegre. “Com a música eu me sinto assim, mais levantado”, comenta.

Superando dificuldades 

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Adilson realiza o curso voluntariamente - ERICK PINHEIRO Adilson realiza o curso voluntariamente – ERICK PINHEIRO

Além de ser um esporte de defesa pessoal, o contramestre Adilson afirma que a capoeira ajuda na coordenação motora, melhora a disciplina, proporciona amizade e união entre os participantes, e ainda ajuda em questões pessoais, como a superação de dificuldades. “Uns se acham gordos, feios, tímidos, incapazes. Sempre mostro para eles que podem, que estão conseguindo, que eles têm valor.”

Olha só quantos movimentos legais que envolvem à capoeira. Tem que treinar bastante para conseguir fazer esses golpes  - ERICK PINHEIRO Olha só quantos movimentos legais que envolvem à capoeira. Tem que treinar bastante para conseguir fazer esses golpes – ERICK PINHEIRO

Adilson, que tem seu trabalho baseado nos ensinamentos do mestre Cuco, também considera importante falar sobre hierarquia. “Eles aprendem a se respeitar”, diz, acrescentando que durante as aulas ainda realiza rodas de conversa, em que compartilha experiências de vida com os participantes.

Voluntário nesse projeto há sete anos, Adilson tira dinheiro do próprio bolso para atender os alunos. Os instrumentos, por exemplo, são dele. Também se desdobra para dar carona quando percebe que alguma criança não tem como ir.

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Apesar da dificuldade, oferecer esse curso é o modo que encontrou para transmitir seu conhecimento e transformar vidas. O que sente falta é de apoio financeiro, patrocínio. “Estamos abertos para conversar com quem quiser colaborar de alguma forma”, complementa.

Inscrições abertas 

Olha só quantos movimentos legais que envolvem à capoeira. Tem que treinar bastante para conseguir fazer esses golpes  - ERICK PINHEIRO Olha só quantos movimentos legais que envolvem à capoeira. Tem que treinar bastante para conseguir fazer esses golpes – ERICK PINHEIRO

Com participação aberta para adultos e crianças a partir de 7 anos, as aulas de capoeira são gratuitas e ocorrem às terças e quintas-feiras, das 19h às 21h, no Parque dos Espanhóis. As inscrições ainda estão abertas, basta ir ao local no dia e horário da aula: rua Campos Sales, s/nº, na Vila Assis. Mais informações: (15) 3233-9809. O apoio é da Prefeitura de Sorocaba.

Origem africana

A capoeira foi criada no Brasil pelos escravos africanos. Uma característica que distingue a capoeira da maioria das outras artes marciais é a sua musicalidade. A roda de capoeira é registrada como bem cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e é Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, título designado pela Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

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