Brasil

TCU recomendou que MEC exigisse mais tecnologia na preparação do Enem

A falha identificada nas notas do último exame ocorreu em uma etapa em que a aferição é feita por funcionários
Resultado do Enem será divulgado nesta sexta; saiba como acessar a nota
Os cartões de respostas dos candidatos não têm nenhum dispositivo tecnológico para identificação. Crédito da foto: Antônio cruz / Agência Brasil (10/11/2019)

 

Ao liberar a contratação da gráfica responsável pela impressão do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2019, o Tribunal de Contas da União (TCU) recomendou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) buscar nas próximas edições “incorporar evoluções tecnológicas de digitalização e automatização dos processos gráficos relacionados à impressão e preparação das provas” para garantir mais segurança.

O jornal O Estado de S. Paulo apurou que a falha identificada nas notas do último exame ocorreu em uma etapa em que a aferição é feita por funcionários e não com o uso de tecnologia. Da forma como é preparada a prova atualmente, os cartões de respostas dos candidatos não têm nenhum dispositivo tecnológico para identificação, como leitor óptico, por exemplo. A identificação dos cartões para a correção das provas é feita por funcionários.

Segundo o governo, o problema na correção teria ocorrido por erro na identificação dos cartões de resposta dos candidatos e da respectiva cor das provas que fizeram. A falha teria ocorrido na gráfica, a empresa Valid: os arquivos com essas informações foram repassadas ao Inep com divergências. Ou seja, o aluno fez a prova de uma cor, mas a nota foi corrigida como se fosse de outra. Oficialmente, o instituto estimou que o problema atingiu um número inferior a 9 mil candidatos.

A recomendação do TCU foi feita em abril, quando o órgão liberou em caráter excepcional ao Inep contratar a Valid sem licitação. A empresa que imprimiu as provas dos anos anteriores, a RR Donnelley, decretou falência no dia 1.º de abril e o Inep alegou não haver tempo suficiente para abrir uma nova licitação e, por isso, contratou a segunda colocada do último pregão feito para o Enem, a Valid.

Ao liberar a contratação, o tribunal determinou que o Inep modifique para os próximos anos as regras das suas seleções, que foram consideradas na época lesivas à livre concorrência. Os principais problemas apontados pelos ministros foram o modelo de qualificação econômico-financeira dos participantes e a experiência, mas também apontou a necessidade de a autarquia exigir nos próximos contratos “inovações tecnológicas”.

Em resposta ao TCU, em outubro, o presidente do Inep, Alexandre Lopes, disse que, para estudar quais novas inovações tecnológicas podem ser adotadas determinou que fosse feito um contrato com a Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica (ABTG). À época, ele disse que a contratação aconteceria em um prazo de 120 dias.

Procurados pela reportagem, o MEC e o Inep não responderam sobre as recomendações do TCU e se já estudam quais novos recursos tecnológicos vão exigir da empresa responsável pela produção do próximo Enem.

Apesar de apontar que o erro aconteceu na gráfica, o presidente do Inep afastou a possibilidade de punição à empresa. “Situações, problemas, sempre podem acontecer. O que temos que ter primeiro é transparência”, disse no sábado (18).

A reportagem questionou ao órgão se já determinou ou se pretende analisar a responsabilidade do erro, mas não obteve resposta. O Estado também questionou quem vai arcar com os custos dos procedimentos extras que foram feitos em razão da falha, mas também não houve resposta. (Estadão Conteúdo)

Leia mais  Crivella diz que reunião com Bolsonaro tratou de investimentos, não de eleição
Comentários