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SP estuda retomar restrições ao lazer

27 de Novembro de 2020 às 00:01

SP estuda retomar restrições ao lazer Novos casos foram registrados principalmente entre pessoas mais jovens. Crédito da foto: George Frey / Getty Images / AFP

O Centro Estadual de Contingência Covid-19 já analisa retomar restrições ao lazer em algumas regiões de São Paulo, diante da alta de casos da Covid-19. A taxa de ocupação em leitos de enfermaria da Capital chegou a 60% para hospitais estaduais e 66% na rede privada. O prefeito Bruno Covas (PSDB) autorizou abrir 200 novas vagas para evitar sobrecarga do sistema de saúde municipal.

Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, a última vez que a Capital ultrapassou a média mensal de 60% na ocupação dos leitos de enfermaria foi em maio, quando atingiu 65%. Na semana passada, o Estado recomendou o adiamento de cirurgias eletivas (não urgentes) para desafogar os hospitais.

O Centro de Contingência não detalhou quais segmentos do lazer -- como parques, bares ou cinemas -- podem ser incluídos em eventuais novas restrições. A reclassificação oficial do Plano São Paulo (programa estadual de flexibilização da quarentena) será anunciada na segunda-feira pelo governador João Doria (PSDB), após o 2º turno das eleição municipal.

“Houve registro do aumento de casos positivos em todos os laboratórios, principalmente envolvendo jovens. Estamos imaginando que, se tivermos de fazer alguma restrição, será nas atividades de lazer e tentando preservar a atividade escolar, que teve o maior prejuízo na nossa história”, disse José Medina, coordenador do órgão. Na cidade, só o ensino médio tem aval para retomar aulas regulares presenciais.

A prefeitura de Belo Horizonte, por exemplo, já ameaçou fechar outra vez o comércio se não houver desaceleração do contágio. “Os dados mostram claramente que houve mudança no patamar, com aumentos no número de casos e de internações, que predominam em algumas regiões e merecem mais atenção”, acrescentou Medina.

Fadiga coletiva

Ele avalia que há “fadiga coletiva” com as regras de distanciamento social e o uso de máscaras, mas que a subida do platô na curva de contágios pode ter sido desencadeada pelas atividades de campanha eleitoral da última semana. “Ainda temos fôlego para atender a essa demanda”, disse Medina.

Ele afirma também que há 16 leitos para cada 100 mil habitantes no Estado, dos quais 50% estão ocupados, total superior a 3 mil. “Isso desperta um alerta para entender como esse aumento pode ser contido. Estamos alertas e observando para ver quais medidas de contenção precisam ser tomadas, para evitar que isso tome a dimensão que vem acontecendo na Europa e nos Estados Unidos.”

Paulo Solmucci, presidente nacional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), afirma que nova restrição de funcionamento não é oportuna. Para ele, uma ideia nesse sentido “é irresponsável com quem trabalha e com quem está quebrado, que é a maioria do comércio”. (João Ker e Renato Vieira - Estadão Conteúdo)