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Senador Major Olimpio tem morte cerebral em decorrência da Covid-19

18 de Março de 2021

"Eu aprendi na vida que são os incomodados que se mudam. Então, se eu estou incomodado, devo me mudar", diz o senador "Eu aprendi na vida que são os incomodados que se mudam. Então, se eu estou incomodado, devo me mudar", diz o senador. Crédito da foto: Ednilson Jodar Lopes (21/9/2018)

 

O senador Major Olimpio (PSL-SP), de 58 anos, teve morte cerebral declarada ontem, após complicações em decorrência da Covid-19. Ele estava internado havia 16 dias, sendo 13 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi da cama do hospital que ele participou pela última vez de uma sessão do Senado, ao votar a favor da proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reinstituiu o pagamento do auxílio emergencial. Ele é o terceiro senador a morrer por conta da doença.

Eleito senador pelo PSL em 2018, com pouco mais de 9 milhões de votos, a quinta maior votação para o cargo da história, Olímpio rompeu em 2019 com o presidente Jair Bolsonaro. O senador completaria 59 anos no próximo sábado. Ele deixa a mulher e dois filhos.

No Senado, a vaga será ocupada pelo suplente, Alexandre Luiz Giordano, também filiado ao PSL. O assessor de imprensa do senador, Diego Freire, de 33 anos, também foi contaminado com Covid-19 e está internado em estado grave. O senador teve passagens por Sorocaba, ocasião em que concedeu entrevista ao jornal Cruzeiro do Sul. A última entrevista concedida ao jornal foi em novembro de 2020 (veja vídeo abaixo):

https://youtu.be/grNaraMuzcs

Carreira

Sérgio Olimpio Gomes era oficial da reserva da Polícia Militar de São Paulo. Formou-se na turma de 1982 da Academia Militar do Barro Branco e se casou com a fonoaudióloga Cláudia Regina de Abreu Bezerra, filha do influente coronel Niomar Cyrne Bezerra, que foi comandante do Policiamento de Choque nos anos 1980.

O trabalho na Casa Militar durante o governo de Luiz Antonio Fleury Filho (1991-1995) o aproximou do mundo político e marcaria sua vida. Foi nessa época que um dos amigos do coronel Niomar, o coronel Ubiratan Guimarães, foi afastado por Fleury após a morte de 111 presos na Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru. Ubiratan se candidatou a deputado estadual e se elegeu. Olimpio acompanhou os passos do coronel.

Foi só em 2006 que ele obteve o primeiro mandato, quando se elegeu deputado estadual pelo PV - ele passou ainda pelo PDT e Solidariedade antes de se filiar ao PSL. Eleito deputado, fez oposição aos governadores do Estado em defesa dos interesses corporativos da PM, protagonizou diversos episódios de bate-boca públicos com adversários e manifestações em que comandava vaias contra seus alvos. O primeiro deles foi José Serra, vaiado em uma solenidade na Academia Militar do Barro Branco em 2007. Depois, conseguiu tirar do sério Geraldo Alckmin ao tentar interromper uma fala do tucano em uma solenidade no interior. Por fim, passou a atacar João Doria, com quem também se desentendeu.

Em 2014, foi eleito deputado federal e apoiou o impeachment de Dilma Rousseff. Quando Dilma tentou dar posse ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil, em 2016, Olimpio foi ao Planalto e começou a gritar “Vergonha!”.

O ponto alto da carreira foi a eleição como senador pelo PSL em 2018, com mais de 9 milhões de votos, a quinta maior votação para o cargo da história. Olimpio rompeu com o presidente no ano seguinte, em meio à briga entre a direção do partido e a família Bolsonaro. Ele acusava Flávio Bolsonaro de ser “ladrão de rachadinha”. Foi assim que ele bateu boca com apoiadores do presidente  em Taubaté, no interior do Estado.

Terceira morte

Olimpio é o terceiro senador que perde a vida após complicações pelo novo coronavírus. Em outubro do ano passado, Arolde de Oliveira (PSD-RJ), de 83 anos, morreu após ser infectado. Em fevereiro deste ano, o decano do Senado, José Maranhão (MDB-PB), faleceu após lutar contra a doença.

Congresso decreta luto por morte de senador

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), lamentou a morte do senador e decretou luto oficial de 24 horas no Congresso. Em nota, Pacheco lembrou que Olimpio é o terceiro senador a perder a vida para o novo coronavírus  “As sinceras condolências do Parlamento Brasileiro à família, amigos e a todos os paulistas”, afirmou Pacheco, em nota.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), também prestou homenagem. “É com profundo pesar que recebo a notícia do falecimento do senador Major Olimpio. Meus sinceros sentimentos aos familiares e amigos”, afirmou.

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, afirmou que Olimpio “foi um parlamentar combativo em relação aos valores morais e institucionais do estado de direito”.

O governador João Doria prestou solidariedade à família e amigos do senador: “Infelizmente, mais uma vítima da Covid-19.” O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL) afirmou que, “em que pese termos diversas discordâncias, não torço pela morte de ninguém. Que Deus conforte a família e amigos do Senador Major Olimpio neste difícil momento.”

O vice-presidente Hamilton Mourão e ministros também se pronunciaram. O presidente Jair Bolsonaro não comentou a morte do senador.