Brasil Covid-19

Saúde quer aumentar tempo entre as doses

Pazuello se inspira na decisão emergencial adotada pelo Reino Unido, que sofre com ocupação quase total dos leitos de UTI

Pfizer refuta estratégia para acelerar cronograma vacinal. Crédito da foto: Dominic Lipinski / AFP

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse ontem que o programa de vacinação contra a Covid-19 pode priorizar inicialmente a aplicação da 1ª dose na população, para acelerar uma imunização em massa e reduzir a atual transmissão, que tem crescido nas últimas semanas. E só depois todos receberiam a 2ª dose. Estratégia semelhante foi adotada pelo Reino Unido, que vive seu pior momento na pandemia. Pazuello, porém, evitou mais uma vez definir uma data para iniciar a vacinação no Brasil.

“Com duas doses vai a 90 e tantos por cento (a eficácia da imunização da vacina de Oxford). Com uma dose, vai a 71%. Com 71%, talvez, a gente entre para imunização em massa. É uma estratégia que o CVS (Centro de Vigilância Sanitária) vai fazer para reduzir a pandemia”, disse Pazuello, em visita ontem a Manaus, região que tem visto uma escalada de 80% nas mortes pela Covid-19 nos últimos 14 dias. “Talvez o foco não seja na imunidade completa, mas na redução da contaminação. E aí a pandemia diminui muito. Podendo aplicar a 2º dose depois de um tempo”, acrescentou.

O discurso de Pazuello se inspira na decisão emergencial adotada pelo Reino Unido, que sofre com ocupação quase total dos leitos de UTI. O país europeu começou a vacinar sua população em 7 de dezembro com o imunizante da Pfizer, seguindo os protocolos dos testes, com duas doses no intervalo de 21 dias. Mas, com o agravamento da pandemia, mudou o cronograma e passou a oferecer a 2ª dose 12 semanas após a 1ª.

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A Pfizer, em comunicado, refutou. “Não há dados que mostrem que a proteção após a 1ª dose seja mantida após 21 dias.” O mesmo será adotado para a vacina de Oxford.

Especialistas veem a proposta com ressalvas. “O que foi testado é o que temos evidências. Qualquer mudança nesse esquema, ainda que em situação de emergência de saúde pública, a gente acaba indo para um terreno de incerteza”, critica Ethel Maciel, epidemiologista da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). (João Prata – Estadão Conteúdo)

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