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Suzano: Atiradores podem ter obtido dicas em comunidades extremistas

A polícia ainda não sabe como ou onde as armas foram compradas pelos atiradores de Suzano

Imagens das câmeras de monitoramento registraram a atuação dos dois atiradores dentro da escola. Confira nos vídeos.

A polícia investiga se os dois jovens que abriram fogo contra a Escola Estadual Raul Brasil, nesta quarta-feira (13), faziam parte de um grupo que joga em rede o game Call of Duty, de guerra, e neste fórum teriam planejado o crime.

Os investigadores estão ouvindo os pais dos rapazes sobre essa questão, mas suspeitam que pode ter ligação com o massacre.

Crédito da foto: Reprodução

De acordo com o portal R7, os atiradores utilizaram uma das comunidades mais extremistas do Brasil para juntar dicas e fazer planos para o ataque. No fórum chamado Dogolochan, os jovens agradeceram a ajuda e deixaram rastros para avisar seus colegas virtuais do massacre que estava por vir.

O fórum é conhecido como um local onde são discutidos abertamente a prática de crimes, violação de direitos humanos, além de racismo e misoginia.

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Tópicos do fórum mostram que Luiz Henrique de Castro e Guilherme Taucci Monteiro pediram dicas de como realizar o massacre. Um print datado do último dia 7 mostra o que parece ser um dos atiradores agradecendo DPR, o administrador do Dogolachan pelos conselhos recebidos.

Um tópico com as dicas pedidas pelos atiradores enquanto planejavam o massacre foi classificado como secreto por DPR, que mudou sua URL para não ser achado em futuras investigações de autoridades.

O próprio administrador, posteriormente, deu alguns detalhes de como ajudou os dois atiradores a conseguirem armas, além de descrever Guilherme como um “um bom garoto que acabou descobrindo da pior forma possível que brincadeiras podem ser tornar pesadelos reais”.

Crédito da foto: Reprodução

O Dogolachan foi criado em 2013 pelo hacker Marcelo Valle Silveira Mello, também conhecido como Psy ou Batoré. Mello é conhecido por crimes de ódio e foi a primeira pessoa condenada pela Justiça do Brasil por crime de racismo na internet, em 2009.

Ele se posicionou contra as cotas raciais de maneira preconceituosa e foi condenado a um ano e dois meses de prisão.

Rastrear as atividades do fórum é difícil, após ele ter sido movido para a Deep Web, onde só é possível acessá-lo através do aplicativo TOR, que confere anonimato para seus usuários.

 

Investigações prosseguem

 

A polícia ainda não sabe como ou onde as armas foram compradas. Os autores do ataque tinham um revólver de calibre 38, uma besta, uma machadinha e um arco e flecha.

Luís Henrique de Castro, de 25 anos (ele faria aniversário no sábado), e Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, eram vizinhos e ex-alunos da Escola Estadual Raul Brasil. Guilherme Taucci Monteiro havia abandonado a escola no ano passado e, de vez em quando, fazia alguns trabalhos em lanchonetes no centro de Suzano. Mas passava a maior parte do tempo com o amigo.

 

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Os autores do ataque tinham um revólver de calibre 38, uma besta, uma machadinha e um arco e flecha. Crédito da foto: AFP / Nelson Almeida

 

Segundo vizinhos, os dois, às vezes, ficavam o dia inteiro conversando, sentados na frente de casa. E passavam pelo menos três noites por semana em uma lan house perto de casa jogando games como Counter Strike e Mortal Combat, além do Call of Duty. Castro trabalharia de vez em quando com o pai, capinando mato.

Na manhã desta quarta-feira (13), chegou a acordar por volta das 5h e foi para a estação de trem com o pai. Chegando lá, alegou que estava doente, e o pai disse para ele voltar para casa, o que nunca aconteceu.

Na locadora

Os dois foram até uma loja de carros seminovos do tio do adolescente, Jorge Antônio Moraes, localizada a cerca de 450 metros. De acordo com testemunhas, por volta de 9h15, Guilherme Taucci Monteiro entrou sozinho no local, onde também funciona um estacionamento e um lava-rápido e disparou três vezes.

Ele acertou o celular que Jorge segurava na mão – e levantou na tentativa de se proteger -, a clavícula e as costas da vítima. Depois, saiu e embarcou no carro que o esperava na saída.

Amigos e funcionários relataram que o carro não foi roubado no local, ele seria de uma locadora, mas não ficou claro se foi roubado lá ou locado. Jorge era conhecido no bairro e tinha a loja há 27 anos e deixa três filhos.

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O gerente de negócios Rodrigo Cardi, de 34 anos, trabalhou com Jorge nos últimos 15 anos e disse nunca ter visto Guilherme Taucci Monteiro no local. “Parece que o Jorge tentou dar uns conselhos depois que o sobrinho foi mal na escola, mas ele não gostou. Mas no momento do ataque nada foi falado nem houve chance de defesa”, disse.

Um amigo de Jorge estava no local e testemunhou o ataque. Em estado de choque, foi socorrido e passa bem.

A polícia foi acionada para procurar um Ônyx branco, encontrado um tempo depois na frente da escola, já com a chamado do tiroteio em curso. Os policiais ainda viram os atiradores vivos, mas eles fugiram dentro da escola.

Um pouco antes do massacre, Guilherme Taucci Monteiro postou em sua página no Facebook 30 fotos com máscara de caveira – semelhante à encontrado na escola – e arma. Nas imagens, ele faz gestos obscenos e mostra a arma. Em outra imagem, ele faz um sinal de arma com os dedos e aponta para a cabeça. (Por Marcelo Godoy, Marco Antonio Carvalho e Isabela Palhares – Estadão Conteúdo)

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