Brasil

Motoristas de aplicativos prometem greve para esta quarta-feira

A Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) reivindica aumento da tarifa para R$ 10

Motoristas de aplicativos prometem fazer uma paralisação nesta quarta-feira (8), em várias cidades do Brasil, entre elas São Paulo e Rio. Eles aderiram a um protesto internacional de motoristas que pedem melhores condições de trabalho. A greve está prevista para começar à meia-noite desta quarta e terminar às 23h59.

As associações comunicam-se com os motoristas por grupos de WhatsApp, YouTube e páginas no Facebook. Crédito da foto: Aloisio Mauricio/ Estadão Conteúdo.

Nesta sexta-feira (10), a Uber faz sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Nova York – e a abertura de capital do aplicativo tem motivado mais queixas entre os trabalhadores. A expectativa é de que as ações sejam avaliadas entre US$ 44 e US$ 50, levando o valor da empresa para próximo de US$ 90 bilhões.

“A Uber cresceu, se tornou uma empresa bilionária, está entrando na bolsa, mas o motorista, que é a máquina que move esse sistema, está esquecido”, diz Eduardo Lima, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp).

Lima espera que 50% dos motoristas de aplicativos do Estado paralisem as atividades. Segundo ele, a proposta é para que os motoristas desliguem, além do aplicativo da Uber, outras plataformas de transporte de passageiros.

Aumento na tarifa

A Amasp reivindica aumento da tarifa para R$ 10. “Eles alegam que se aumentar a tarifa, cai a demanda. Mas faz três anos que não temos aumento. O passageiro já deixa até gorjeta”, diz Lima. Outra reivindicação é para aumentar a transparência nos casos de exclusão de motoristas dos aplicativos.

Segundo Lima, associações de outros Estados do Brasil como Rio, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Tocantins, Espírito Santo e Ceará também convocaram os motoristas para a greve desta quarta-feira.

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No Rio, o presidente de uma das entidades, a Associação de Motoristas Particulares Autônomos do Rio de Janeiro (Ampa-RJ), diz que a convocação também é para que os motoristas desliguem os aplicativos por 24 horas. “Não estamos sugerindo carreata”, avisa Denis Moura. Segundo ele, será respeitado o direito de motoristas que optarem por trabalhar.

“Colocamos não como uma imposição. Acreditamos que 50% vá aderir”, diz ele, que também pede aumento da tarifa. “Com a quantidade gigantesca de desempregados, a Uber tem mão de obra muito farta”. No Estado do Rio, diz, são cerca de 100 mil carros de aplicativos. “Mais do que transportar, economizamos o tempo das pessoas, mas não temos respeito das empresas de aplicativo.”

Procurada por e-mail, a Uber não havia respondido até as 19h40.

Motoristas por aplicativo protestam na Câmara
Veículo de transporte por aplicativo. Crédito da Foto: Justin Sullivan/Getty Images/AFP

Protesto e impactos

Uma manifestação também está prevista para ocorrer nesta quarta-feira (8), em São Paulo. A concentração de motoristas de aplicativos está marcada para as 8h no Vale do Anhangabaú, no centro da capital. De lá, eles devem seguir a pé até a Bovespa. Depois, retornarão ao Anhangabaú, onde devem permanecer até às 10h.

Ainda não está claro o impacto da greve desta quarta-feira. Para Eduardo Lima, presidente da Amasp, é possível que os aplicativos tenham tarifa mais cara nesta quarta – e isso acabe “desviando a atenção” dos motoristas sobre a greve.

As associações comunicam-se com os motoristas por grupos de WhatsApp, YouTube e páginas no Facebook, mas reconhecem que nem todos estão conectados nesses canais. “Tem motorista que não acompanha Facebook ou que trabalham (no aplicativo) esporadicamente”, diz Moura, da Ampa-RJ.

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Pelo mundo

Nos Estados Unidos, algumas organizações pediram greve de 24 horas, mas a Aliança de Trabalhadores de Táxis de Nova York pediu aos motoristas que parassem apenas entre as 7h e as 9h. Foram convocados motoristas de aplicativos como Uber, Lyft, Via e outras plataformas.

Não está claro quantos condutores participarão da greve – também houve convocatórias em cidades como Los Angeles, Filadélfia, Boston e Washington. Um protesto similar é esperado também em Londres, no Reino Unido. (Estadão Conteúdo)

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