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Governadores criticam indefinição no ministério

“Temos dois ministros e não temos nenhum”, acusam
Governadores criticam indefinição no ministério
O médico Marcelo Queiroga e o general Eduardo Pazuello: um não entrou e o outro não saiu. Crédito da foto: Evaristo Sá / AFP (16/3/2021)

O Ministério da Saúde está acéfalo no momento mais agudo da pandemia de Covid-19. O diagnóstico é de governadores e secretários de Estados e municípios que buscaram a pasta nos últimos dias, principalmente para tratar da falta de medicamentos de intubação e de oxigênio.

Anunciado há uma semana como novo ministro, o médico Marcelo Queiroga ainda não teve sua nomeação oficializada e, portanto, ainda não responde pela pasta. Enquanto isso, o general Eduardo Pazuello segue como ministro no papel, mas cumprindo uma espécie de “aviso prévio” no cargo.

Como revelou o Estadão, a posse de Queiroga ainda está travada porque ele precisa, antes, desvincular-se da sociedade de empresas das quais é sócio. O presidente Bolsonaro chegou a marcar sua nomeação para a última sexta-feira; a nova previsão é a próxima quinta-feira (25).

“Temos dois ministros e, na verdade, não temos nenhum”, definiu ontem o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “O que entra não está autorizado a agir e o que sai não está com disposição de comandar, pois já é um ex-ministro”, concluiu.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), foi no mesmo tom. “Não se pode fazer exoneração e nomeação no gerúndio, demitindo um ministro e nomeando um novo há uma semana. Quem está tentando salvar vidas neste momento fica se perguntando: quem está decidindo neste momento? O Brasil é um barco à deriva”, disse ele, em entrevista à Rádio Eldorado.

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Já o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), chamou o vácuo de comando de “absurdo”. “Temos dois ministros da Saúde, por conseguinte nenhum. Um saiu, mas não saiu. Um entrou, mas não entrou”, disse ele dia 18.

Secretários de Saúde apontam preocupação com o fato de a transição ocorrer num momento crítico da pandemia, em que hospitais estão superlotados e cidades registram falta de sedativos para intubar pacientes. O ministério fez requisições e promete compras internacionais de medicamentos.

Segundo os secretários, o porta-voz da Saúde nesta crise de medicamentos não é Queiroga nem Pazuello, mas o secretário executivo da Saúde, Elcio Franco. Queiroga também é réu em uma ação penal de 2006 pelo não recolhimento de contribuições previdenciárias devidas pelo Hospital Prontocor, do qual era administrador. Ele foi absolvido, mas o Ministério Público Federal recorreu.

Em nota, a Saúde afirma que “segue trabalhando sem medir esforços, para o combate à pandemia, com objetivo de apoiar Estados e municípios e salvar vidas”. A nota prossegue: “O ministro Eduardo Pazuello está à frente da pasta, exercendo seu trabalho no comando de todas as ações estratégicas necessárias e comprometido com o apoio irrestrito aos gestores locais do Sistema Único de Saúde”. (Mateus Vargas – Estadão Conteúdo)

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