Brasil Covid-19

China libera insumos para Coronavac no Brasil

Governos federal e estadual agora disputam protagonismo na negociação que levou à liberação

Em mais um capítulo da disputa entre o governador João Doria e o presidente Jair Bolsonaro pelo protagonismo nas ações de vacinação contra a Covid-19, o governo paulista divulgou nota na noite de ontem (25) negando que o governo federal tenha tido participação na liberação dos insumos para a produção de 5 milhões de doses da Coronavac, conforme anunciado mais cedo por Bolsonaro no Twitter.

Nas redes sociais, o presidente afirmou que a exportação da matéria-prima foi autorizada pelo governo chinês e destacou que os insumos devem chegar ao Brasil nos próximos dias. No anúncio, ele agradeceu a “sensibilidade” do governo chinês e o “empenho” dos ministros Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Eduardo Pazuello (Saúde) e Tereza Cristina (Agricultura). Em um vídeo divulgado pelo Ministério da Saúde minutos depois, Pazuello disse que o problema foi solucionado “graças à ação diplomática do governo federal com o governo chinês por intermédio da Embaixada chinesa no Brasil”.

De acordo com a gestão Doria, porém, “não é verdade” que a importação de insumos da China tenha sido uma realização do governo federal. “Todo o processo de negociação com o governo chinês para a liberação de 5.400 litros de insumo para a vacina do Butantan foi realizado pelo Instituto e pelo governo de São Paulo, que vem negociando com os chineses a importação de vacinas e insumos desde maio do ano passado”, diz a nota.

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Ainda de acordo com o governo paulista, a negociação é contínua e nunca foi interrompida, “mesmo quando o governo federal, através do presidente da República, anunciou publicamente, em mais de uma ocasião, que não iria adquirir a vacina por causa de sua origem chinesa”. A nota refere-se ao episódio em que Bolsonaro desautorizou Pazuello em outubro, quando o ministro havia assinado um protocolo de intenções com o Butantan para a compra de doses da Coronavac. O presidente ordenou que o acordo fosse suspenso.

A gestão Doria destacou ainda que, no período em que o presidente se negava a admitir a compra dos imunizantes, quatro lotes de vacinas e insumos foram recebidas pelo governo de SP “sem nenhuma participação do governo Bolsonaro”.

Em sua página no Twitter, Doria afirmou ainda que os frequentes ataques de membros do governo federal à China dificultaram o processo. O governador subiu o tom e acusou a gestão Bolsonaro de oportunismo. “Sem parasitismo dos negacionistas e oportunistas. Até aqui só atrapalharam nosso trabalho em prol da ciência e da vida. São engenheiros de obra pronta. Vergonha!”.

Doria terá uma reunião virtual hoje (26), às 10h30, com o embaixador chinês, Yang Wanming, e prometeu apresentar à imprensa os detalhes logísticos do recebimento dos insumos após o encontro.

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Até agora, o Butantan já liberou 6,9 milhões de doses da Coronavac para distribuição aos Estados e promete entregar, nos próximos dias, mais 3,2 milhões de unidades do imunizante, o que totalizaria 10,1 milhões de doses, suficiente para a vacinação de 5 milhões de pessoas. A promessa do Butantan é entregar 46 milhões de doses até abril.

Após a reação de Doria, o ministro das Comunicações de Bolsonaro, Fábio Faria, publicou no Twitter uma carta do Embaixador da China no Brasil, Yang Wanming enviada a Pazuello ontem, comunicando a autorização do envio dos insumos para a Coronavac.

Em seguida, Faria escreveu, sem citar nomes, que “tem gente que quer holofote a todo custo. É caso de psicanálise! Hoje será que veremos lágrimas de crocodilo de novo? A conferir…” (Fabiana Cambricoli – Estadão Conteúdo)

 

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