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Brasil busca melhorar imagem com diplomatas em viagem pela Amazônia

A rota não incluiu as zonas afetadas pelo desmatamento
Mourão: equipe econômica estuda forma de garantir orçamento exclusivo à Amazônia
Vice-presidente da República, Hamilton Mourão. Crédito da foto: Marcos Correa / PR (9/7/2020)

O vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, conclui nesta sexta-feira (06) uma viagem pela Amazônia com embaixadores de oito países, na tentativa de melhorar a imagem do governo diante das críticas internacionais ao desmatamento na maior floresta tropical do mundo.

Iniciada na quarta-feira, a viagem teve como foco o norte do estado do Amazonas (com maior proporção de selva brasileira) e as instalações militares e policiais de monitoramento da Amazônia, gerando críticas de ONGs como o Greenpeace por excluir o sul da região, mais afetado por desmatamento e incêndios.

“Sabíamos que seria impossível abarcar toda a realidade da região numa viagem de 3 dias, mas procuramos expor a complexidade dos desafios da Amazônia Ocidental e as principais ações estratégicas do Governo para proteger, preservar e desenvolver a região”, justificou no Twitter o vice-presidente, que preside o Conselho Nacional da Amazônia Legal.

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A visita busca que diplomatas vejam “com seus próprios olhos” e “tirem suas conclusões sobre o que está acontecendo na Amazônia”, para “mostrar que o governo [Jair] Bolsonaro não tem nada a esconder”, disse Mourão na quarta-feira.

Rota estratégica

Especialistas em meio ambiente e ONGs garantem que o governo Bolsonaro enfraqueceu os órgãos de controle ambiental e que seu discurso a favor das atividades extrativas em áreas protegidas promove o desmatamento e os incêndios florestais.

A viagem contou com a presença de embaixadores da Alemanha, Canadá, Colômbia, Espanha, Peru, Suécia, África do Sul e União Europeia, além de gestores de negócios do Reino Unido, França e Portugal.

“É uma pena que a viagem não inclua visitas às áreas mais afetadas pela degradação ambiental”, lamentou na véspera da viagem Liz Davidson, gerente de negócios do Reino Unido e embaixadora interina.

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A delegação, que incluiu os ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e da Agricultura, Tereza Cristina, também percorreu um centro de resgate de animais silvestres e a Secretaria de Saúde Indígena.

A ONG Greenpeace Brasil acusou o governo de querer mostrar a “Amazônia dos sonhos” e por isso propôs aos diplomatas que realizassem a “‘Rota da verdade’, que inclui as mais conhecidas fronteiras de desmatamento do bioma”, como no Estados do Pará e Amazonas.

A viagem foi feita depois que oito países europeus expressaram a Mourão, em carta pública em setembro, sua preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia nos últimos anos, alertando que isso poderia afetar a atuação de empresas e investidores europeus no país.

Mais de 7.890 km2 foram desmatados na Amazônia brasileira entre janeiro e outubro, número alarmante apesar de ser quase 7% inferior ao registrado no mesmo período de 2019, segundo dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). (AFP)

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