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Bolsonaro promove reforma ministerial

Presidente efetua seis trocas no primeiro escalão e oficializa entrada do Centrão no governo
Bolsonaro promove reforma ministerial
Fernando Azevedo e Ernesto Araújo deixaram os ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, respectivamente. Crédito da foto: Sergio Lima / AFP (4/2/2020)

O presidente Jair Bolsonaro oficializou ontem (29) seis trocas no governo. Em nota, ele confirmou a demissão do ministro da Defesa, Fernando Azevedo; da Advocacia-Geral da União, José Levi; e a nomeação da deputada Flávia Arruda (PL-DF) como ministra da Secretaria de Governo, responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

O ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, também foi demitido. Sua saída vinha sendo cobrada dentro e fora do governo. Na visão de parlamentares, especialistas e empresários, a atuação do chanceler na pasta, considerada ideológica, prejudicou o País na obtenção de insumos e vacinas para combater a Covid-19. Em seu lugar entrará o diplomata Carlos Alberto Franco França, ex-cerimonialista da Presidência. França foi promovido a ministro de primeira classe (embaixador) em 2019, o último posto da carreira diplomática. No exterior, atuou como ministro-conselheiro na Embaixada do Brasil na Bolívia e também serviu em representações diplomáticas em Washington (EUA) e Assunção (Paraguai).

No Ministério da Justiça, Bolsonaro trocou André Mendonça, que volta a comandar a AGU, seu antigo cargo, e colocou no lugar o delegado da Polícia Federal Anderson Torres. Até então secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Torres havia sido cotado para assumir a diretoria-geral da Polícia Federal em ao menos três oportunidades, e agora deve assumir um cargo hierarquicamente superior. Ele é próximo da família do presidente.

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As outras mudanças foram apenas de nomes que já integravam o governo e foram realocados: o general Walter Braga Netto assume o Ministério da Defesa e o general Luiz Eduardo Ramos vai para o seu lugar, na Casa Civil, abrindo a vaga para Flávia Arruda na Secretaria de Governo.

A deputada é próxima ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), que na semana passada cobrou uma mudança de postura do governo federal no enfrentamento da pandemia. Na ocasião, alertou que a declaração era um “sinal amarelo” do Congresso ao chefe do Executivo e, sem citar o impeachment, disse que o Legislativo possui “remédios políticos amargos”, alguns “fatais”.

No mês passado, Bolsonaro já havia acomodado um nome do Centrão no governo, com a nomeação de João Roma (Republicanos-BA) no Ministério da Cidadania.

As trocas ocorrem no momento mais agudo da pandemia de Covid-19 no País, com recordes diários de mortes pela doença e colapso na rede de saúde de diversas cidades. Ao mesmo tempo, pesquisas apontam queda na popularidade do presidente.

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Agronegócio respira aliviado com a saída de Ernesto Araújo

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, disse ontem (29) que o agora ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo vinha “atrapalhando vários negócios do Brasil”. Araújo entregou o cargo ao presidente da República, Jair Bolsonaro, após mais de 800 dias à frente do Itamaraty. Ele vinha sendo contestado dentro e fora do governo.

“A Abag não faz juízo de valor sobre quem o presidente escolhe ou demite. O que comentamos é que um chanceler tem por obrigação facilitar a vida do País e dos negócios do País, não prejudicar. E, lamentavelmente, por posições ideológicas, o chanceler vinha atrapalhando vários negócios do Brasil”, disse Brito ao Broadcast Agro, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

Sucessor discreto

O sucessor de Ernesto Araújo é considerado um diplomata da “cozinha” do Palácio do Planalto. Carlos Alberto Franco França fez quase toda a carreira na área de cerimonial. Já no primeiro ano do governo Bolsonaro, foi cedido por Araújo para assumir a chefia do Cerimonial da Presidência. Atualmente, era assessor-chefe na Assessoria Especial do Presidente, onde trabalham assessores ligados ao “núcleo ideológico” do governo.

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No Itamaraty, o novo chanceler é descrito como uma pessoa “executiva” e “discreta” pelos colegas. E que, sobretudo, tem familiaridade com o poder. França trabalhou no Planalto nos governos Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff e Michel Temer, sempre na área do Cerimonial. (Da Redação)

QUEM ENTRA

Casa Civil da Presidência da República: General Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira

Ministério da Justiça e Segurança Púbica: Delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres

Ministério da Defesa: General Walter Souza Braga Netto

Ministério das Relações Exteriores: Embaixador Carlos Alberto Franco França

Secretaria de Governo da Presidência da República: Deputada Federal Flávia Arruda

Advocacia-Geral da União: André Luiz de Almeida Mendonça

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